O Mac Câmbio e o real

São tantas as determinações da taxa de câmbio que é difícil não se perder nas particularidades e nas complexidades imanentes: (a) às transações comerciais internacionais, reguladas por vantagens relativas (em oposição às absolutas, que regulam as trocas internas); (b) aos movimentos de globalização produtiva e à disputa entre os blocos transnacionais e nacionais de capital; e (c) aos movimentos especulativos do capital financeiro em busca do maior ganho líquido (juro mais apreciação cambial) de curto prazo. Nesse emaranhado, poucos economistas aventuram-se a identificar “a” taxa de câmbio de equilíbrio.

Como os homens práticos precisam de referências, a The Economist criou uma medida simples de alinhamento cambial: o Mac Câmbio. O sanduíche Big-Mac do Mac Donald’s tem todas as características de uma cesta ideal: é exatamente igual em todos os países, utiliza insumos da agropecuária, dos Serviços Industriais de Utilidade Pública, da indústria e dos serviços; mas é um não tradeable, de forma que seu preço não é uniforme no mercado mundial. Assim, se comparamos seu preço em dólar nos EUA com seu preço em dólar (pelo câmbio oficial) nos demais países, temos uma noção do grau de (dis)paridade do poder de compra das moedas. E o Mac Câmbio revela o que é óbvio para todos os que viajam ao exterior: enquanto o real disputa o título da moeda mais valorizada do mundo, o yuan é a mais desvalorizada! Com as taxas de juros mais altas do mundo, o Brasil é o campeão do ingresso especulativo de capitais. Para os técnicos do Bacen, trata-se de política anti-inflacionária. O que eles não explicam é porque o Brasil só consegue controlar a inflação com juros usurários. Talvez encontremos a resposta identificando quem ganha com a ortodoxia monetária em curso.

O Mac Câmbio e o real

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