O limite do mercado das utilities no Brasil

A ocorrência do “apagão” e a ameaça de um “caladão” têm preocupado a área econômica. A mídia apontou, corretamente, o alto endividamento das operadoras elétricas e das teles, bem como a baixa rentabilidade e a ociosidade das plantas destas últimas.

Por outro lado, é importante avaliar-se a condição de acesso da população a esses serviços, classificados como utilities. A energia elétrica já foi praticamente universalizada: em 1999, apenas 5,2% dos domicílios brasileiros não dispunham dela, ocorrendo maior carência no conjunto dos domicílios rurais (24,5%), bem como nas faixas de renda mais baixas. Desse modo, a expansão do mercado e a rentabilidade das operadoras dependem, fundamentalmente, da evolução do consumo médio, atrelada aos efeitos multiplicadores do crescimento econômico, da renda e do emprego.

A difusão dos serviços de telefonia é bastante inferior. Atinge graus elevados somente nos grupos de renda superior a 10 SMs nas áreas urbanas e a 20 SMs nas rurais. Em 1999, apenas 37,5% dos domicílios brasileiros tinham acesso à telefonia — 44,3% nas áreas urbanas e apenas 8% nas rurais. Os limites desse mercado já se evidenciam nos domicílios com renda entre 5 e 10 SMs; nos grupos de rendas inferiores, a carência é gigantesca, embora as operadoras revelem capacidade ociosa.

Os policy makers não têm sido capazes de concretizar o cenário que prometeram às infantes operadoras quando privatizaram as utilities e, tampouco, de garantir a parcelas importantes da população o acesso e o uso desses serviços, fortemente vinculados às condições básicas de cidadania.

O limite do mercado das utilities no Brasil

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