O impacto da taxa de câmbio real efetiva nas exportações do RS

As exportações brasileiras, entre janeiro e setembro de 2010, cresceram 11,8% em volume em relação ao mesmo período de 2009. Por outro lado, as exportações do Rio Grande do Sul caíram 4% em volume durante igual período. Essa diferença indica que as exportações brasileiras estão em um ritmo superior às do RS durante o ano de 2010. Durante o período 2003-10 a perda de competitividade causada pelo aumento dos custos das exportações foi similar entre o Brasil e o RS, visto que a taxa de inflação brasileira foi muito semelhante à gaúcha. Além disso, a taxa de câmbio nominal é igual para ambas as unidades analisadas, mas a estrutura dos parceiros comerciais é diferente. A participação da Argentina nas exportações gaúchas é 30,3% maior do que nas exportações brasileiras, bem como a participação da Rússia é 35% maior nas exportações do RS do que nas do Brasil. Entre 2003 e 2010, o real valorizou-se, respectivamente, 55% e 41,6% em relação ao peso argentino e o rublo russo, indicando que as moedas dos países para os quais o RS exporta proporcionalmente mais do que o Brasil desvalorizaram mais do que o dólar, perante o qual o real se valorizou em 39,2%. Existe, assim, a possibilidade de a taxa de câmbio estar afetando as exportações gaúchas com maior intensidade do que as exportações brasileiras.

Para calcular-se a taxa de câmbio real efetiva (TCRE) para o RS, é necessário ponderar a taxa de câmbio nominal pelo diferencial de inflação entre o país de destino das exportações e o RS. Além disso, deve-se incluir a participação de cada país de destino nas exportações gaúchas. Assim, chega-se a uma taxa de câmbio para o RS que leva em consideração a variação nos custos de produção e o peso de um país nas exportações gaúchas. O mesmo é feito para o Brasil, que possui uma taxa de inflação muito semelhante à do RS, mas os países de destino das exportações possuem pesos diferentes, gerando, então, uma discrepância entre ambas as taxas. Essa diferença pode explicar o ritmo de crescimento das exportações gaúchas inferior ao ritmo nacional, devido à possível perda de competitividade das exportações gaúchas acima da média nacional.

As diferenças na pauta e nos pesos dos países de destino das exportações impactaram a TCRE, com uma valorização de 4,97% em relação à TCRE calculada para o Brasil. Devido à grande diferença no crescimento das exportações brasileiras e gaúchas, em princípio, o diferencial existente explica apenas parcialmente o ritmo inferior das exportações gaúchas. Logo, outros motivos podem ser relevantes para elucidar tal questão, como a safra de fumo gaúcha em 2010, inferior à de anos anteriores, que afeta tanto as exportações da agricultura como as da indústria de beneficiamento do fumo. Outro fator que contribui é a forte demanda por produtos da indústria extrativa brasileira, que representa 22% das exportações do Brasil. No entanto, essa representa menos de 1% das exportações do RS e exporta produtos que não são beneficiados pelo crescimento da demanda internacional.

O impacto da taxa de câmbio real efetiva nas

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