O futuro das exportações gaúchas para a Argentina

A desvalorização cambial argentina vem motivando manifestações de apreensão quanto às perspectivas das exportações gaúchas àquele país, que, na média dos últimos cinco anos, foi o destino de 11,0% das exportações do Estado. Contudo a principal preocupação deve ser a continuidade da recessão naquela economia. No mínimo, desde 1994, o comportamento dessas exportações esteve pesadamente condicionado às taxas de crescimento da Argentina, ao passo que, com o câmbio, os dados não sustentam uma relação direta. Ou seja, o nível de crescimento mais do que compensou as variações cambiais. Convém lembrar que a recessão do país vizinho teve início em out./98, praticamente coincidindo com a desvalorização cambial brasileira de jan./99. De 1994 a 1998, com câmbio desfavorável ao Brasil, houve crescimento da economia argentina, acompanhado de rápida expansão das vendas gaúchas (acumulando 66,2%); a exceção foi 1995, quando diminuíram o produto nacional (-2,8%) e as exportações (-14,6%). Posteriormente, a situação inverteu-se: entre 1999 e 2001, a Argentina teve crescimento negativo de 3,0%, 0,5% e 2,5%; a despeito da desvalorização brasileira, as exportações gaúchas acumularam redução de 19,0% (em que pese a exceção do ano 2000). As categorias com retração mais drástica em suas exportações foram os bens de capital e os bens duráveis de consumo, cujas demandas mais contraem na recessão. A clara vinculação entre as taxas de crescimento da Argentina e as exportações gaúchas indica, fortemente, que nossas economias são complementares. A recuperação das exportações do RS para a Argentina permanece submetida à incerta recuperação daquela economia.

O futuro das exportações gaúchas para a Argentina

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