O emprego formal em 2001

No ano passado, o Rio Grande do Sul gerou um adicional de 50.309 empregos formais, resultado pouco inferior ao de 2000 (53,5 mil postos). Como naquele ano, a indústria de transformação (IT) foi responsável pela maior parcela das novas vagas: em 2000, 57,1%; em 2001, 40,2% (20.223 postos). O comércio criou, em 2001, um número de empregos próximo ao da indústria (18.747), ficando com a segunda posição, a qual, em 2000, havia sido dos serviços.

O Estado foi responsável por 8,5% do saldo positivo do emprego no País (591.079 postos). Essa parcela é superior à que o RS detinha do emprego nacional ao final de 2000 (7,2%, segundo a RAIS), o que indica um pequeno ganho de participação do Estado. Nessa linha, os resultados da IT são mais expressivos: o RS gerou 19,5% dos 103.822 novos empregos industriais em 2001, enquanto, em dez./00, sua participação no setor se limitava a 10,5%. Em 2001, das 27 unidades da  Federação, apenas o Paraná superou o RS em número absoluto de postos gerados na IT.

Para uma apreensão do desempenho do mercado de trabalho no País em 2001, é importante separar os resultados do primeiro e do segundo semestres, na medida em que uma série de fatores conjunturais negativos se concentrou na segunda metade do ano. Entre janeiro e junho, o Brasil gerou 574 mil empregos e, entre julho e dezembro, apenas 17 mil. A par de condicionantes internacionais, como o paroxismo da crise argentina e o claro resfriamento da economia mundial, o País confrontou-se, no segundo semestre, com os efeitos da crise energética.

Esse parece o determinante mais plausível para que o mercado de trabalho da Região Sudeste — a mais atingida pelo racionamento — tenha sofrido um revés tão mais acentuado do que os demais no segundo semestre. Após um saldo positivo de 383,2 mil postos no primeiro semestre, aquela região eliminou 87,6 mil vagas de julho até o final do ano. Dentre as demais regiões, apenas a Centro-Oeste teve, no segundo semestre, resultado negativo (-4,8 mil empregos), embora a desaceleração do crescimento do emprego tenha sido geral, poupando apenas a Nordeste.

Na IT, a Região Sudeste perdeu, no segundo semestre, 40,8 mil dos 60,3 mil postos gerados até junho. Nas demais regiões, o resultado, nesse período, foi negativo apenas na Região Norte (-2,6 mil empregos). No agregado do País, o setor passou de um crescimento de 106,9 mil empregos no primeiro semestre para uma queda de 3,1 mil postos no segundo. O saldo anual resultou positivo para todas as regiões, exceto para a Região Norte, mas marcou um realinhamento: até junho, a Região Sudeste detinha o maior saldo de empregos industriais (60,3 mil); no final do ano, a Região Sul liderava largamente o crescimento, com 60,7 mil novos postos, seguida, à distância, pela Sudeste (19,5 mil).

No emprego total, o Rio Grande do Sul teve desaceleração pouco acentuada — após uma variação de 28.478 postos no primeiro semestre, 21.831 postos foram gerados no segundo, quando o desempenho do comércio (15.632 novas vagas) foi determinante. Na IT, todavia, a reversão foi inequívoca: de 21.446 postos gerados até junho, 1.223 foram eliminados no segundo semestre. Neste, as maiores retrações, em números absolutos de empregos, ocorreram nos produtos do fumo (-7.787 postos) e nos calçados (-1.799). No primeiro caso, incide sazonalidade — tradicionalmente, o segundo semestre é de demissões. Já os calçados — de cuja produção parcela significativa é exportada — puseram em relevo o impacto da conjuntura internacional. A par dessa dimensão, o brusco resfriamento da economia da Região Sudeste do País certamente contribuiu para desacelerar segmentos industriais gaúchos a ela articulados. Nesse sentido, mesmo que não tenha sofrido o racionamento de eletricidade, o Estado teria internalizado parte de seus custos sociais.

O emprego formal em 2001

Compartilhe