O emprego formal acusa o golpe e busca a recomposição

Até setembro de 2008, verificou-se, no Brasil, uma acelerada criação de empregos com carteira assinada, porém, a partir de outubro, quando os efeitos da crise financeira internacional começaram a ser sentidos, houve uma reversão desse quadro, com a destruição líquida de postos de trabalho nos meses de nov./08 a jan./09, tendo dezembro como pico (-654.946 vagas ou -2,1% frente a novembro). A partir de fevereiro, o mercado de trabalho voltou a dar resultados positivos, com três meses seguidos em que as admissões superaram os desligamentos, embora sejam números substancialmente inferiores aos do mesmo período de anos precedentes. No acumulado do ano (até abril), foram criados 48.454 postos, uma queda de 94,3% em relação ao mesmo quadrimestre de 2008, um sinal inequívoco da perda de dinamismo do emprego formal, especialmente visível na indústria de transformação, que eliminou 147.178 postos contra a geração de 228.986 nos primeiros quatro meses do ano anterior.

No RS, ainda que as taxas de variação mensal sugiram um movimento mais brando, observando-se retração apenas em dezembro (-1,3%), o resultado do primeiro quadrimestre de 2009, comparado com o de 2008, é igualmente notável: 11.214 postos acrescidos nesse ano contra 71.161 do ano anterior, ou seja, uma cifra 84,2% menor, o que é mais severo na indústria de transformação, que fechou 2.201 vagas nesses quatro meses de 2009, enquanto, no mesmo período de 2008, adicionou 30.412 postos.

Pelo visto, o processo de gradativa recomposição do mercado de trabalho formal avançará ao longo do ano — salvo um agravamento da crise externa -, contudo os níveis de contratação anteriores à crise dificilmente serão alcançados em 2009.

O emprego formal acusa o golpe e busca a recomposição

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