O desempenho do comércio varejista gaúcho em 2006

O Estado do Rio Grande do Sul fechou o ano de 2006 com um crescimento de 1,3% no comércio varejista, em relação ao ano anterior, segundo os dados do Índice de Vendas do Varejo (IVV), calculado mensalmente pela FEE, em parceria com a Fecomércio-RS, a partir de dados da Secretaria da Fazenda do RS. O desempenho ficou abaixo do crescimento do PIB estadual, que foi de 2,7% no mesmo período. O resultado deste último foi puxado pelo crescimento extraordinário da produção agrícola, de grande peso na economia gaúcha e com grande volatilidade em relação ao comércio e à indústria. Porém o baixo crescimento dos dois indicadores — abaixo dos de abrangência nacional — ainda reflete a busca por recuperação da economia gaúcha desde a crise de 2005. Como é normal, houve dinâmicas diferenciadas no resultado do IVV, no que diz respeito tanto às principais cidades do Estado quanto a diferentes setores do comércio varejista.

Regionalmente, observa-se um crescimento vigoroso em Caxias do Sul (9,2%), refletindo uma mudança estrutural recente em seu mercado de varejo, com a abertura de grandes pontos varejistas e a influência do bom desempenho do setor industrial do Município. Já Novo Hamburgo, com uma queda de 6,9%, ressente-se do fraco desempenho industrial, particularmente do setor coureiro-calçadista, com impactos inevitáveis no poder de compra da população e, por conseguinte, no comércio varejista. O comércio varejista de Porto Alegre, diferentemente do de cidades do interior, é um pouco mais independente do desempenho de outros setores, por ser uma economia mais diversificada. Seu baixo crescimento (1,6%) está associado mais a fatores macroeconômicos, como a quase-estagnação da massa salarial, a alta taxa de juros e a ainda baixa oferta de crédito. Mudanças econômicas estruturais nos municípios também ajudam a explicar os diferentes desempenhos do comércio varejista.

Quanto à desagregação setorial do comércio varejista gaúcho, também se observam diferentes dinâmicas. Vale destacar o bom desempenho do setor de hipermercados e supermercados, com um crescimento de 8,3%, explicado pela abertura de grandes lojas, especialmente no interior, pelo aumento do mix de produtos ofertados e pelas maiores vendas de itens importados. No outro extremo, as vendas de combustíveis e lubrificantes apresentaram queda de 5,9% em relação às de 2005, basicamente em razão da alta de preços. Têm-se, ainda, o crescimento do setor de móveis e eletrodomésticos (3,5%) e a queda do setor de tecidos, vestuário e calçados (-1,9%).

De forma geral, o comércio varejista tem respondido com um crescimento relativamente baixo, embora estável, refletindo, com alguma defasagem, os choques agrícolas e o fraco desempenho industrial, na medida em que não possui dinâmica própria. Enquanto a agricultura e a indústria não apresentarem crescimento sustentado, com aumento na taxa de investimento, e não ocorrer uma queda mais acelerada da taxa de juros, dificilmente o comércio poderá apresentar taxas elevadas de crescimento em termos regionais e setoriais.

O desempenho do comércio varejista gaúcho em 2006

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