O desempenho da agropecuária gaúcha em 2006

A economia gaúcha caracterizou-se, nos dois últimos anos, por apresentar um desempenho aquém do da nacional. Em 2004, ela cresceu 3,0% contra os 4,9% do Brasil, e, em 2005, o Rio Grande do Sul decresceu 4,8%, enquanto o País teve um crescimento de 2,6%. A agropecuária foi o setor que, nesse período, apresentou as menores taxas de crescimento, com queda superior a 15% em 2005. Esse péssimo desempenho teve um impacto de -2,4% na composição da taxa do PIB global do Estado, ou seja, 50% da queda da economia gaúcha foram devidos ao mau desempenho da agricultura.

A principal causa para esse comportamento foi a estiagem que atingiu o Estado pelo segundo ano consecutivo, ocasionando, em 2005, a pior performance da agropecuária desde 1991.

Entretanto as informações disponíveis nesse primeiro semestre de 2006 indicam uma perspectiva bastante satisfatória para o ano. As lavouras com maior peso na economia do Estado (soja, milho, fumo, trigo e arroz) não enfrentaram, nesta última safra, problemas com o clima.

As pesquisas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola relativas a junho de 2006 mostram que as estimativas para o ano, para praticamente todos os principais produtos da lavoura gaúcha, apresentam crescimento significativo em sua produção, sinalizando um crescimento elevado para a agricultura gaúcha em 2006. Estima-se um aumento médio da produção dos principais produtos da lavoura superior a 35% (contra um decréscimo de 21% em 2005).

Em relação tanto à produção quanto à área colhida e à produtividade, verificam-se taxas de crescimento elevadas. Quanto à produção, os destaques são o milho e a soja, com um crescimento de mais de 200%, seguidos do feijão e da cana-de-açúcar, com 58,7% e 30,6% respectivamente.

Embora haja crescimento da área colhida em praticamente todas as lavouras, chama atenção que o crescimento da produção se dá com ganhos de produtividade. Verifica-se que as culturas de maior crescimento de produção são as mesmas que apresentam os maiores ganhos de produtividade: milho e soja, com 111,7% e 197,4% respectivamente, e feijão e cana-de-açúcar, com 41,8% e 23,2%.

Destaca-se, ainda, o fraco desempenho do trigo, cuja produção prevista se mantém semelhante à do ano passado — em torno de 1.389 mil toneladas —, não recuperando as quantidades de períodos anteriores. Em 2003, estava ao redor de 2.400 mil toneladas. Entretanto a área colhida prevista para este ano é 17,4% inferior à do ano passado, o que dá um ganho de produtividade de 21,0%.

De outra parte, o arroz, que é cultura irrigada e que não sofreu os efeitos da estiagem, mas, sim, dos preços, mantém crescimento de produção superior a 10%, com ganhos de produtividade de aproximadamente 8%.

Esses produtos citados — arroz, milho, soja, feijão, cana-de-açúcar —, conjuntamente com o fumo (que cresceu em produção e produtividade mais de 9%), perfazem em torno de 80% do valor da produção dos principais produtos da lavoura.

Assim, considerando a participação de cerca de 14% da agropecuária na estrutura produtiva gaúcha e o crescimento de mais de 35% na produção dos principais produtos da lavoura (que significam 55% do valor de produção da agropecuária), pode-se prever um ótimo crescimento agrícola, com expressiva contribuição no crescimento do PIB gaúcho de 2006.

O desempenho da agropecuária gaúcha em 2006

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