O (des)acordo União Européia-Mercosul

No início das negociações ocorridas em julho último, a União Européia (UE) propunha redução tarifária para 50% de cada cota para produtos agrícolas considerados sensíveis, muitos deles exportados pelo RS para aquela região. Os 50% restantes estariam condicionados aos resultados da Rodada de Doha da OMC. Quanto mais os europeus tivessem de ceder na OMC, menos dariam para o Mercosul. Este, sem garantias de ganhos para seus produtos, mostrou-se contrário à proposta européia. A UE, então, reformulou-a, mas para pior: aumentava as concessões para 60% de cada cota na assinatura do acordo, e os restantes 40% ficariam na dependência das negociações na OMC. Mas a liberalização desses
60% seria parcelada em 10 anos. Para o Mercosul, tal medida foi considerada um passo atrás, e, diante da irredutibilidade dos europeus, optou por suspender as tratativas até agosto.

A crise Brasil-Argentina, relacionada às vendas brasileiras de eletrodomésticos da “linha branca”, também pode ter contribuído para o endurecimento da posição européia, já que, na prática, a UE quer garantias de que não se criem obstáculos à circulação dos produtos europeus no Mercosul, bem como de produtos oriundos de empresas européias aqui instaladas, embora o discurso oficial dos europeus alegue sua preocupação com o fortalecimento da integração no Mercosul.

Para o RS, onde as exportações de produtos agrícolas para a UE têm um peso significativo, as dificuldades em romper-se a barreira protecionista européia para produtos da agricultura certamente serão prejudiciais. Conforme a tabela, os cinco principais produtos exportados pelo Estado para esse bloco são todos do agronegócio e representam mais de 50% da pauta para a UE.

O (des)acordo União Européia-Mercosul

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