O declínio do setor calçadista gaúcho

Segundo a Pesquisa Industrial Anual (PIA) do IBGE, o setor calçadista gaúcho representava, em 2000, 10,6% do valor da transformação industrial do Estado. Em 2008, essa participação caiu para 5,6%. A redução do tamanho do setor seguiu-se à queda nas exportações. Os Estados Unidos sempre foram o principal comprador dos calçados gaúchos. Ao longo dos anos, entretanto, o menor preço do calçado chinês fez com que as vendas do Estado para aquele mercadocaíssem significativamente. De US$ 931,7 milhões em 2000, as exportações do RS para os EUA caíram para US$ 181,0 milhões em 2010. À perda de competitividade em função dos menores custos de mão de obra dos chineses somaram-se as decorrentes da valorização cambial. Entre 2003 e 2010, a taxa de câmbio real/dólar caiu 42,8%; no mesmo período, o valor das exportações gaúchas de calçados reduziu 29,8%.

Parte das perdas com o mercado norte-americano foi compensada pelo aumento das exportações para outros mercados, notadamente União Europeia e Mercosul. Em 2010, esses dois mercados já respondiam por 56,4% das vendas do Estado. Outra providência adotada pelos empresários foi transferir a produção — total ou parcialmente — para estados da Região Nordeste, de mão de obra mais barata. O resultado foi a perda de participação do Rio Grande do Sul na produção (de 56,8% 2000 para 33,5% em 2008) e nas exportações nacionais (de 81,1% em 2000 para 50,6% em 2010).

O declínio do setor calçadista gaúcho

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