O crescimento das exportações para a África

A África tem 54 países e cerca de 1,1 bilhão de habitantes. É a região com a maior concentração de pobreza do mundo, com 47,5% da população vivendo com menos de US$ 1,25 por dia. No entanto, entre 2000 e 2012, a economia africana cresceu anualmente a uma taxa superior à média mundial — 5,04% contra 3,64% — e, atualmente, é considerada a nova fronteira de expansão do capitalismo. Conforme o FMI, na próxima década, dos 10 países com maior crescimento econômico, sete serão africanos. Outro exemplo do potencial dessa economia foi ressaltado recentemente em um estudo do Banco Mundial: existem, na África Subsaariana, cerca de 202 milhões de hectares de terras aráveis, mas incultas, o que representa cerca de 50% do total de terras nessas condições existentes no mundo.

Desde o final do século passado, mas de forma mais incisiva a partir de meados da década atual — com o aprofundamento de sua estratégia geopolítica de privilegiar o alinhamento Sul-Sul —, o Brasil buscou incrementar o relacionamento com a África. Essa tarefa foi facilitada pelas afinidades históricas, culturais e mesmo geográficas — de clima e solo — que ligam o País a diversas nações africanas. Entre 2002 e 2012, o número de embaixadas brasileiras localizadas naquela região subiu de 17 para 37, e o de embaixadas africanas no País, de 16 para 33.

O desenvolvimento comercial entre o Brasil e a África caminhou pari passu ao seu relacionamento diplomático. As compras africanas, que representavam 2,44% do total das exportações brasileiras em 2000, passaram a representar 5,03% em 2012. Já sobre o total das exportações gaúchas, a participação africana elevou-se de 2,54% para 7,62% entre os dois anos considerados. Ademais, as exportações oriundas do Brasil e do RS evoluíram num ritmo superior ao das compras africanas no resto do mundo, de modo que o País e o Estado ganharam fatias daquele mercado.

A carência alimentar e a falta de infraestrutura do continente africano estimularam as exportações brasileiras tanto dos produtos agropecuários e minerais — açúcar, carnes bovina e de aves, milho e minério de ferro — como daqueles de maior valor agregado — tratores, veículos para transporte de mercadorias, óleo de soja, aviões e partes e acessórios de veículos. Já o RS concentrou suas vendas externas nos produtos agropecuários — carne de aves, tabaco, arroz, trigo e derivados de carne — e nos da indústria metal-mecânica — tratores, partes e acessórios de veículos, outras máquinas agrícolas e reboques e semirreboques.

Para o RS, foi muito significativa a expansão das vendas de arroz, tratores e demais máquinas agrícolas para o mercado africano. No caso do cereal, porque, no Brasil, o arroz gaúcho vem sofrendo forte concorrência da produção dos outros países do Mercosul. E, no caso das máquinas agrícolas, porque, ultimamente, a instalação de novas plantas desses bens na Argentina vem não só encurtando o tamanho daquele mercado para os produtos gaúchos, como também capacitando empresas do país vizinho a competirem em terceiros mercados.

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