O crescimento da indústria gaúcha em 2004

A produção industrial do RS, assim como a do Brasil, apresentou uma tendência ascendente a partir do mês de setembro de 2003, embora tenha ocorrido uma sutil desaceleração do crescimento no mês de setembro de 2004 (gráfico). Mesmo assim, no período que acumula jan.-nov./04, as indústrias estadual e nacional tiveram um crescimento continuado bastante superior ao verificado nos últimos anos, de, respectivamente, 6,7% e 8,3%.

Conforme os resultados que discriminam as atividades por ramos industriais, as melhores taxas de crescimento acumuladas para jan.-out./04 em relação a igual período de 2003 foram alcançadas pela indústria fumageira (28,9%), seguida, em ordem decrescente, por veículos automotores (22,8%), máquinas e equipamentos (19,9%), metalúrgica básica (17,6%) e borracha e plástico (13,3%). Já alimentos (-0,9%), calçados e artigos de couro (-1,7%), refino de petróleo e álcool (-3,6%) e outros produtos químicos (-0,1) reduziram sua produção em relação a igual período do ano anterior. As demais atividades, ainda que com resultados positivos, colocaram-se abaixo da média gaúcha.

Assim como no Brasil, as vendas externas foram as principais impulsionadoras do aumento da produção industrial gaúcha, sendo esse o caso de fumo e de veículos automotores. Entretanto esse estímulo começou a perder força a partir do terceiro trimestre, devido à já excessiva valorização do real, com reflexos negativos sobre as indústrias de calçados e de móveis.

Quanto à indústria de calçados, é importante sublinhar que a redução do IPI para as exportações de couro wet blue é um fator que influencia negativamente a competitividade das empresas produtoras de calçados de maior valor agregado, onde a integração da cadeia produtiva é um elemento central. Outro fator desfavorável às atividades de calçados, móveis e produtos alimentares continuou sendo o reduzido consumo interno desses produtos.

A produção de veículos automotores, por sua vez, vem, há vários anos, ampliando sua participação no mercado mundial, através seja de exportações, seja da implantação de unidades produtivas em outros países. Em 2004, a continuidade da elevação das exportações repercutiu favoravelmente sobre o consumo doméstico. Comportamento semelhante foi observado na indústria de tratores e máquinas agrícolas, que, além das exportações, foi favorecida pelo crescimento do agronegócio. Esse aquecimento, por sua vez, teve repercussões positivas sobre a produção de autopeças do Estado.

A projeção do desempenho industrial relativa ao próximo ano, para o Brasil e para o RS, relaciona-se principalmente com as exportações, profundamente dependentes do mercado dos EUA, e com a taxa de juros, cujas expectativas são de manutenção e/ou nova elevação. Essas variáveis não apresentam perspectivas muito favoráveis à continuidade do crescimento das indústrias nacional e estadual em 2005.

O crescimento da indústria gaúcha em 2004

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