O crédito no Brasil: pós-crise

A crise financeira global de 2008 afetou significativamente o mercado de crédito no Brasil. As condições de oferta foram rapidamente comprometidas, a partir da restrição de acesso a linhas de financiamento externas, da redução da liquidez no mercado interbancário doméstico e do acirramento da aversão ao risco na concessão de novos recursos pelas instituições financeiras. Ao mesmo tempo, a demanda por crédito foi condicionada pela evolução desfavorável das expectativas relativas a emprego, renda e produção, com impactos nas decisões de consumo e de investimento.

O crédito no Brasil pós-crise

Nesse cenário, a expansão do volume de crédito passou a registrar expressivo arrefecimento, relativamente à evolução observada até meados de 2008. Os empréstimos totais, conforme observado na tabela, apresentaram expansão de 15,3% em 12 meses, até outubro de 2009, ante elevações respectivas de 26,4% e de 34,4% em intervalos equivalentes de 2007 e de 2008.

No decorrer do acirramento da crise, os bancos públicos desempenharam importante papel como agentes anticíclicos, sustentando ou ampliando a oferta de recursos no mercado de crédito. Como resultado, a participação relativa dessas instituições no total das operações de crédito do sistema financeiro nacional elevou-se de 34,2% em setembro de 2008 para 40,7% em outubro de 2009. Já as relativas às instituições privadas nacionais e aos bancos estrangeiros recuaram de 44,% e 21,4% para 40,8% e 18,5% respectivamente.

Ao longo do segundo semestre de 2009, com o retorno dos bancos privados ao mercado, o volume de crédito iniciou a sua recuperação, e a expectativa para o ano de 2010 é de que a sua expansão continue de forma intensa.

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