O comportamento recente da indústria de transformação

A produção física da indústria de transformação brasileira vem apresentando bastante oscilação nos últimos meses. Segundo a série ajustada sazonalmente da Pesquisa Industrial Mensal da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-IBGE), em fevereiro de 2012, esse setor cresceu 1,3% em relação a janeiro, retornando ao patamar de setembro de 2011.

No entanto, o setor acumulou, até fevereiro, uma queda de 0,4% em relação a dezembro do ano anterior e ainda se encontra 4,1% abaixo do nível de março de 2011, quando sua produção atingiu o maior patamar da série histórica. Uma parte dessa queda pode ser explicada pela política monetária mais restritiva adotada pelo Banco Central brasileiro em 2010 e 2011. Nesse período, a taxa básica de juros foi elevada de 8,75% em março de 2010 para 11,75% em março de 2011, alcançando o máximo de 12,5% em agosto de 2011. Mesmo com a atual política monetária expansionista, os juros mais altos de 2010 e 2011 ainda afetam o comportamento da indústria, devido a defasagens existentes em alguns canais de transmissão da política monetária, como o investimento.

Considerando o acumulado de janeio e fevereiro de 2012 em relação ao mesmo período do ano anterior, a indústria de transformação apresentou uma queda de 3,6%. Além do alto patamar do início de 2011, outro ponto que deve ser destacado é o menor número de dias úteis em fevereiro do ano atual, decorrente do feriado de Carnaval.

Contudo, como não poderia deixar de ser, essa retração não é homogênea entre os subsetores da indústria de transformação. Nesse período, 14 dos seus 26 subsetores apresentaram queda no volume produzido. Desses, o que apresentou o resultado mais significativo foi o de veículos automotores, com uma retração de 27,6%. Quedas semelhantes ocorreram em setores de bens de capital, como máquinas para escritório e equipamentos de informática (-20,9%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-12,8%) e material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicação (-9,6%). Isso pode indicar que o setor de bens de capital, por ser mais dependente do nível de investimento da economia, também é mais suscetível à política monetária. Também houve queda nos setores de borracha e plástico (-6,4%) e vestuário e acessórios (-19,6%).

Dentre os setores que apresentaram crescimento da produção no acumulado até fevereiro, podem-se destacar: outros produtos químicos (6,9%), refino de petróleo e produção de álcool (6,2%), alimentos (2,1%) e edição, impressão e reprodução de gravações (5,5%). Mais do que o crescimento apenas em relação ao início do ano anterior, os dois primeiros desses setores apresentam um crescimento mais consistente. O primeiro atingiu, em fevereiro, o maior patamar da sua série recente, impulsionado principalmente pela produção de herbicidas para o setor agropecuário. Já o segundo apresentou, em fevereiro, uma produção apenas 0,4% menor do que o seu maior patamar, ocorrido em maio de 2011, alavancado pelo crescimento da produção de gasolina automotiva.

Enquanto isso, a indústria de transformação gaúcha apresentou uma desaceleração maior do que a brasileira. Na série com ajuste sazonal, o volume produzido caiu 3,5% em fevereiro de 2012 em relação a janeiro e 3,4% em relação a dezembro de 2011. Contudo, no acumulado do ano, a indústria gaúcha mostra um crescimento de 2,6%, em virtude de a base de comparação não ser tão alta quanto a brasileira. O setor que mais contribui para esse crescimento no acumulado foi máquinas e equipamentos (42%), com comportamento contrário ao brasileiro; e o que apresentou a maior queda foi o setor de veículos automotores (-27%).

O comportamento recente da indústria de transformação

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