O comportamento do emprego formal nas regiões do Brasil

O desempenho recente do emprego formal no Brasil mostra uma continuidade no processo de geração de postos de trabalho, porém com perda do ritmo de crescimento de forma persistente. Em abril de 2013, o nível de emprego elevou-se 0,5% em relação ao mês anterior pela incorporação de 196.913 trabalhadores, o que configurou o saldo entre admissões e desligamentos mais baixo desde abril de 2009. O resultado do primeiro quadrimestre desse ano — adição de 549.064 postos, com um crescimento de 1,4% — também foi o pior para o mesmo período desde 2009. O setor serviços liderou a geração de vagas entre janeiro e abril de 2013 (265.278), seguido pela indústria de transformação (153.975) e pela construção civil (121.013); o único setor que suprimiu postos foi o comércio (-41.811). Todavia, em termos relativos, a liderança recaiu sobre a construção civil e a administração pública, com incrementos de 3,9% e 2,9% respectivamente.

Considerando-se o comportamento do emprego segundo o recorte geográfico, tem-se uma realidade distinta daquela evidenciada pelas médias nacionais. A elevação do nível do emprego foi quase generalizada entre as cinco grandes regiões nos quatro primeiros meses de 2013, a exceção foi a Região Nordeste, que registrou redução de postos. A Norte foi a que gerou o menor número de vagas, enquanto a Região Sudeste concentrou praticamente a metade dos postos acrescidos no período. A Região Sul alcançou o segundo melhor desempenho, praticamente duas vezes mais do que o verificado na Centro-Oeste. Tendo em vista a dinâmica do crescimento, as Regiões Centro-Oeste e Sul destacam-se com as maiores variações relativas (3,1% e 2,8% respectivamente), enquanto a Sudeste alcançou 1,5% e a Norte exibiu o menor incremento relativo (0,4%). A Região Nordeste, por sua vez, registrou um recuo de 1,0%.

Sob a ótica do desempenho setorial do emprego, as disparidades regionais são evidentes. Na Região Nordeste, é a indústria de transformação que sofre o maior recuo de contingente, ao mesmo tempo em que, na Sul, é ela que experimenta o maior avanço, sendo responsável por quase a metade dos novos ingressos. Dessa forma, o setor serviços, que tem sido identificado como o “puxador” do emprego, não corresponde a essa condição em todas as regiões, na já citada Sul e na Norte, o setor serviços é o segundo em importância, observando-se que, nesta última região, é aconstrução civil que se sobressai. Em suma, em apenas duas regiões — Sul e Centro-Oeste —, registra-se ampliação do emprego em todos os setores de atividade; nas outras, observa-se retração no comércio, sendo que, na Nordeste, ocorre fechamento de postos em quatro setores.

Em termos relativos, os contrastes parecem acentuar-se: enquanto o emprego na indústria de transformação, no primeiro quadrimestre do ano, alcança uma variação de 5,2% na Região Centro-Oeste e de 4,4% na Sul, experimenta uma retração de 6,5% na Nordeste; na construção civil, o maior incremento relativo foi na Região Centro-Oeste (6,9%) e o menor foi na Nordeste (1,9%), verificando-se taxas próximas na Sul e na Sudeste (4,7% e 4,3% respectivamente); no setor serviços e na agropecuária, a Região Centro-Oeste também desponta com as maiores variações (2,8% e 5,3% respectivamente), ao passo que as menores são na Norte (0,6% no setor serviços) e na Nordeste (-6,5% na agropecuária). Cabe ainda chamar atenção para o contraste na administração pública, que cresceu 7,4% na Região Sul e 0,5% na Nordeste.

Diante desses dados, que remetem às particularidades dos mercados de trabalho regionais no Brasil, lidar com a problemática do trabalho tomando o País como um todo tem alcance limitado, o que não invalida as várias interpretações correntes sobre a persistência do crescimento do emprego em um ambiente de baixo crescimento econômico. Uma dessas interpretações, a mais abrangente, seria a de que o aumento do emprego no Brasil se daria majoritariamente no setor serviços, mais significativamente naqueles segmentos intensivos em mão de obra, que não geram alto valor agregado e demandam trabalhadores pouco qualificados (atente-se que os postos gerados no País se têm concentrado nas faixas de salário inferiores). Alia-se a isso outro movimento, o de que diante dos custos de demissão, contratação e treinamento, as empresas estariam retendo os seus trabalhadores na expectativa de retomada da dinâmica de crescimento.

O comportamento do emprego formal nas regiões do Brasil

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