O comportamento do crédito em 2012

O estoque total de crédito do sistema financeiro em 2012, computadas as operações com recursos livres e direcionados, alcançou, segundo o Banco Central, R$ 2.360 bilhões em dezembro e acumulou crescimento de 16,2% no ano, comparativamente a 19% em 2011 e 20,6% em 2010. Com isso, a relação crédito/PIB atingiu 53,5%, ante 49,0% e 45,2%, nos respectivos finais de anos anteriores

O menor ritmo de expansão do crédito em 2012, a despeito da trajetória declinante das taxas de juros e dos spreads bancários e da estabilização dos índices de inadimplência, mostrou-se consistente com o arrefecimento do nível de atividade econômica e seus impactos sobre as expectativas de empresários e consumidores. Nesse contexto, a evolução do saldo de crédito foi sustentada, principalmente, pelo desempenho das operações com recursos direcionados, que tiveram uma trajetória expansionista, alcançando R$ 874 bilhões em dezembro, representando um incremento de 20,5% em 12 meses. Para esse resultado, contribuíram as expansões respectivas de 23,6%, 37,6% e 12,4% nas carteiras de crédito rural, habitacional e nos financiamentos do BNDES.

Diante do crescimento dos recursos direcionados, a representatividade dos bancos públicos manteve-se em elevação, atingindo 47,6% do total das operações do sistema financeiro, ante 43,5% em dezembro de 2011. Em contrapartida, as instituições privadas nacionais e estrangeiras tiveram suas participações relativas correspondentes reduzidas em 3,1 p.p. e 1,0 p.p., situandose em 36,1% e 16,3% respectivamente.

Os créditos com recursos livres corresponderam a 63% da carteira total do sistema financeiro, comparativamente a 64,3% em 2011, mostrando um avanço de 13,9% no ano. Os financiamentos para pessoas jurídicas registraram saldo de R$ 762 bilhões, o que representou um acréscimo de 16,5% em 12 meses, resultante da variação respectiva de 16% nas carteiras com recursos domésticos, e aumento de 18,2% nas operações financiadas com recursos externos. Os empréstimos a pessoas físicas somaram R$ 724 bilhões, assinalando expansão de 11,2% no ano.

Enfim, é possível afirmar que o crédito em 2012 apresentou uma trajetória de expansão, embora a um ritmo mais moderado do que nos últimos anos. Quatro aspectos chamam atenção na evolução recente do crédito: o crescimento mais acelerado das concessões por parte dos bancos públicos, em comparação com os privados; a expansão mais forte no crédito direcionado, em especial para habitação, comparativamente ao crédito com recursos livres; a redução das taxas médias de juros para empréstimo tanto para pessoa jurídica quanto para pessoa física, que se deve não apenas à redução da taxa básica – do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) -, mas também à queda dos spreads; e o aumento do comprometimento de renda das famílias.

A perspectiva para 2013 é de que os bancos públicos continuarão liderando a expansão do crédito, e o crescimento do estoque total de crédito do SFN se situará em torno de 14%, abaixo, portanto, de 2012.

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