O comércio exterior brasileiro de serviços

A revolução tecnológica em curso, que introduziu mudanças significativas nas tecnologias da informação e das comunicações, alterou profundamente a disponibilidade de serviços em tempo real e levou a um aumento do comércio internacional de serviços. De acordo com dados da UNCTAD, entre 2000 e 2007, o comércio internacional de serviços cresceu 118,6%, contra 114,2% verificados no comércio de bens e, em 2007, já representava 24% do comércio de bens. Nesse mesmo ano, o comércio mundial de serviços movimentou US$ 3,4 trilhões, tendo os países desenvolvidos participado com 72% desse total, e sendo Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão e França os principais países exportadores e importadores mundiais.

Em 2007, as exportações brasileiras de serviços somaram US$ 22,5 bilhões, 25,7% acima das vendas de 2006, de US$ 18 bilhões. Entretanto as importações, nesses mesmos anos, atingiram valores superiores, de US$ 34,4 bilhões e US$ 27,1 bilhões, respectivamente, gerando um saldo negativo de US$ 11,9 bilhões em 2007, evidenciando que, nesse setor, o Brasil ainda tem importantes carências em várias áreas. Nesse mesmo ano, por exemplo, o País foi deficitário nas áreas de aluguel de equipamentos (menos US$ 5,8 bilhões), de transporte (menos US$ 4,2 bilhões), de viagens internacionais (menos US$ 3,3 bilhões), de computação e informação (menos US$ 2,1 bilhões) e de royalties e licenças (menos US$ 1,9 bilhão).

Uma característica do comércio exterior de serviços brasileiro diz respeito à concentração das exportações praticamente em dois estados – SP e RJ -, com uma participação de 54,4% e 36,2%, respectivamente, no ano de 2007, havendo também uma concentração nos países de destino, com os Estados Unidos respondendo por 53,6% da absorção das exportações. Nesse mesmo ano, o número de empresas exportadoras de serviços era de 22.653, das quais 72,3% exportaram entre US$ 1.000 e US$ 100.000; 16,8%, entre US$ 100.000 e US$ 500.000; e apenas 6,7% exportaram acima de US$ 1 milhão.

O País, entretanto, demonstra ter uma expressiva competitividade na área de serviços empresariais, profissionais e técnicos, atingindo um saldo positivo de US$ 6,2 bilhões em 2007, com um aumento de 36,7% em relação ao ano anterior. Os principais subitens dessa conta são serviços de arquitetura, engenharia e outros técnicos; instalação e/ou manutenção de escritórios, serviços administrativos e aluguel de imóveis; e honorários de profissional liberal, os quais obtiveram, respectivamente, saldos de US$ 2,3 bilhões, US$ 2,3 bilhões e US$ 1,4 bilhão e variação de 26%, 43,4% e 37,6% entre 2006 e 2007.

Cabe acrescentar-se que as variações na relação real/dólar podem afetar os resultados da balança de serviços. Com a moeda nacional valorizada, a tendência é aumentar a compra e diminuir a venda de serviços no exterior, ao passo que uma desvalorização do real (como está ocorrendo atualmente) poderá levar a um resultado inverso.

O comércio exterior brasileiro de serviços

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