O câmbio em 2009

Desde abril, a taxa de câmbio vem caindo, fruto da melhora no afluxo de dólares; no câmbio comercial, devido à venda antecipada de dólares pelos exportadores, temerosos de maior valorização do real; no financeiro, pela volta das aplicações de curto prazo, inclusive as de carry trade (aplicadores tomam empréstimos em países com baixas taxas de juros e os aplicam naqueles com taxas mais altas). No Brasil, o aplicador beneficia-se, além da taxa de juros, também da variação cambial negativa.

Por outro lado, a entrada de investimento externo direto (IED) está menor. Com um perfil menos volátil e de menor dependência de fatores conjunturais, o IED resulta de decisões de mais longo prazo, e só agora o efeito contágio da crise o está atingindo. Com a diminuição do IED e a retomada das operações de carry trade, o ingresso de dólares no País, pelolado financeiro, apresenta maior risco de volatilidade, o que pode aumentar as incertezas sobre a taxa de câmbio no futuro, com seus efeitos estendendo-se para o setor produtivo.

Além do menor IED, fato que contribui para segurar a desvalorização do dólar, o Bacen também tem atuado visando diminuir a queda da taxa de câmbio, pois voltou a comprar dólares nos mercados à vista (spot) e futuro, além de ter retomado os leilões de swap cambial reverso, um derivativo no qual o Bacen paga a variação da Selic e recebe a variação cambial.

Desse modo, pode-se esperar que a taxa de câmbio nominal se estabeleça em níveis mais baixos do que os registrados no final de 2008, embora os dias de real muito sobrevalorizado pareçam já fazer parte do passado.

O câmbio em 2009

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