Novos mercados para produtos gaúchos

No período maio/05-abr./06, as exportações gaúchas foram de US$ 10.467,5 milhões, representando um incremento de apenas 3,9% em relação aos 12 meses anteriores. Todavia essa taxa é negativa em 16,7%, quando comparados os valores em moeda nacional. Isto porque, convertendo-se os valores mensais das exportações em dólar pela taxa de compra do câmbio médio mensal, se obtém um total exportado de R$ 23.930,3 milhões de maio de 2005 a abril 2006, contra R$ 28.738,7 milhões nos 12 meses anteriores.

O reduzido crescimento, em dólares, das exportações do RS, inferior ao do Brasil no período (19%), deve-se a vários fatores, dentre eles: problemas climáticos, com a quebra da safra de produtos agrícolas; desaceleração dos preços das principais commodities agrícolas transacionadas pelo RS; e valorização do real. Este último, apesar de afetar todos os produtos, tem efeito mais intenso em mercadorias intensivas em mão-de-obra e que pouco usam insumos importados, que, de modo geral, caracterizam a pauta gaúcha, como o complexo soja, couros e calçados, madeira e móveis, dentre outras. Essa situação tem exigido dos empresários um esforço significativo para aumentar tanto a sua competitividade, via redução de custos, quanto a exploração de novos nichos e/ou a penetração em novos mercados.

As exportações do RS para os países desenvolvidos cresceram apenas 1%, e as para os em desenvolvimento, 5%, a despeito de a economia mundial continuar em franco crescimento. Enquanto as vendas para o G-7 diminuíram 4%, para a África, elas cresceram 16%. Importantes mercados, como Estados Unidos e China, diminuíram suas aquisições, enquanto outros, menos representativos, como Polônia e Vietnã, mais que dobraram sua participação na pauta. Assim, esses dados corroboram o aprofundamento da diversificação de destinos das exportações do RS.

Analisando-se os países não tradicionais compradores do Estado, isto é, aqueles que, de maio/04 a abril/05 compraram menos de US$ 5 milhões, selecionaram-se os que apresentaram as maiores taxas de crescimento das exportações gaúchas, conforme tabela.

Observa-se que grande parte desses mercados se localiza na África — Gâmbia, Serra Leoa, Guiné Equatorial, Togo, Benin, Congo, Maurício, Quênia e Etiópia — e, juntos, adquiriram US$ 48,3 milhões de maio/05 a abr./06, com um crescimento de 228% sobre maio/04-abr./05, quase triplicando sua representatividade nas aquisições africanas, entre os dois períodos em análise. Para esses mercados, destacaram-se as vendas de carnes (suínas, de frango e perus), arroz, fumo em folhas, reboques, tratores, máquinas agrícolas, trigo e bombons e caramelos.

Outros importantes mercados, em termos de crescimento, foram a República da Moldávia, o Uzbequistão e a República Quirguiz, que absorveram US$ 15,8 milhões. Para esses países, salientaram-se os embarques de carnes e miudezas, particularmente as suínas e as carnes preparadas, bem como artigos de cutelaria.

Novos mercados para produtos gaúchos

O Iraque foi o destino que denotou a maior taxa de crescimento (2.142%), com a aquisição, preponderantemente, de tratores e carnes de frango do Estado. Já para a República da Síria, foram embarcados silos metálicos para cereais, extratos tanantes e leite em pó. Contudo as vendas para o Oriente Médio decresceram 4% no período maio/05-abr./06, em relação aos 12 meses anteriores, devido, em especial, à queda dos valores adquiridos pela Arábia Saudita, pela República Islâmica do Irã e pelos Emirados Árabes Unidos.

O lento crescimento das exportações gaúchas só não foi menor devido ao incremento do preço médio de muitos produtos industrializados, refletindo os efeitos do repasse de parte do aumento de custos provocado pela desvalorização do dólar, e à prospecção de novos mercados. Porém essa situação está-se tornando cada vez mais difícil de sustentar, em razão da crescente concorrência global, agravada pela perda de competitividade de alguns produtos exportados em decorrência da valorização do real.

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