Mulheres mantêm desvantagem salarial no emprego formal

Os dados recentemente divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego sobre a situação do mercado formal de trabalho no ano 2000 (RAIS) mostram que, embora persista a segregação por gênero na sociedade brasileira, a mão-de-obra feminina conquista cada vez mais espaço. Tomando-se como base de comparação o ano de 1994, quando foi implantado o Programa de Estabilização Econômica (Plano Real), observa-se que, enquanto o total do emprego com carteira assinada cresceu 6,1% no Rio Grande do Sul, o número de mulheres empregadas cresceu 11,4%, passando de 709.679 em 1994 para 790.574 em 2000. Já o número de homens teve um modesto crescimento de 2,6%. O setor serviços foi quem puxou o crescimento do emprego no Estado, com um aumento de 29,3%, que foi muito maior para as mulheres do que para os homens: 39,9% e 20,9% respectivamente. Em virtude de trajetórias diferenciadas, a participação das mulheres no emprego formal elevou-se de 39,8% em 1994 para 41,7% em 2000.

Em contrapartida, o fosso que separa as mulheres dos homens, nos salários, permanece grande, a despeito de o salário das mulheres ter evoluído um pouco melhor do que o dos homens. O rendimento médio real no RS recuou 3,9% entre 1994 e 2000. Enquanto o dos homens caiu 4,8%, o das mulheres teve um recuo bem menor (1,4%). Com isso, diminuem os diferenciais salariais: em 1994, os homens tinham um rendimento médio real 29,8% superior ao das mulheres, vantagem que diminuiu para 25,4% em 2000. Nesse ano, os homens ostentavam um rendimento médio real de R$ 798,79 contra um de R$ 637,22 das mulheres. A pior situação sob a ótica do emprego feminino, considerando-se os setores mais importantes para o emprego, encontrava-se na indústria de transformação, que apresentava um dos rendimentos médios mais baixos para as mulheres e o diferencial salarial mais acentuado. No ano 2000, o rendimento médio real das mulheres empregadas na indústria de transformação do Estado era de R$ 425,82, e o dos homens era de R$ 717,25, o que significa que o valor dos homens estava 68,4% acima do das mulheres. Cabe realçar que a discrepância na indústria diminuiu nesses anos: o rendimento médio real feminino variou -2,7%, e o masculino, -9,8%.

A administração pública era o setor em que as mulheres tinham o maior rendimento médio real em 2000, não obstante mostrar um dos maiores contrastes salariais. O diferencial entre o rendimento médio real dos homens e o das mulheres, que era 29,1% em 1994, elevou-se para 43,4% em 2000, o que é especialmente preocupante, tendo em vista que as mulheres representam mais da metade dos empregados no setor.

Por fim, é importante ter presente que, embora o nível de escolaridade das mulheres seja, na média, mais elevado do que o dos homens, elas ainda são remuneradas em níveis bem inferiores ao deles.

Mulheres mantêm desvantagem salarial no emprego formal

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