Mudanças nos fluxos migratórios entre as mesorregiões do RS

O fluxo migratório entre as mesorregiões gaúchas diminuiu, conforme mostram os últimos três Censos através da pergunta sobre onde o respondente residia cinco anos antes da pesquisa. No período 1986-91, o contingente de pessoas que trocaram de mesorregião foi de 302,6 mil, passando para 294,4 mil em 1995-2000 e para 261,4 mil em 2005-10. Apesar disso, permaneceu a tendência de deslocamento populacional das mesorregiões com maior participação da agropecuária no PIB (Sudoeste e Noroeste) para as com maior PIB per capita e industrializadas (Nordeste e Metropolitana de Porto Alegre). Entretanto ressalta-se que há diferenças expressivas nas tendências dos saldos migratórios entre as mesorregiões do RS, ao longo dos três períodos.

Abrangendo a capital, sua região metropolitana e o Litoral Norte, a Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre, de maior população e com o segundo PIB per capita mais elevado do Estado, apresentou, nos três períodos, os maiores saldos migratórios (imigrantes menos emigrantes), porém decrescentes: de 91,9 mil em 1986-91, passou para 66,3 mil em 1995-2000 e reduziu-se para 26,2 mil em 2005-10. Em 1986-91, era a mesorregião com maior taxa líquida migratória (saldo dividido pela população), de 2,71%, valor que caiu a 0,59% em 2005-10.

Em sentido oposto, a região da Serra (Mesorregião Nordeste) — com maior PIB per capita e, proporcionalmente, a mais industrializada — vem obtendo saldos migratórios crescentes nas trocas com as demais mesorregiões do Estado: de 10,5 mil em 1986-91 para 17,1 mil em 1995-2000 e 22,6 mil no último censo. Entre os três períodos, sua taxa líquida migratória subiu de 1,48% para 2,27% (tornando-se a maior do RS). De forma semelhante à Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre, a região serrana obteve ganho populacional, devido, principalmente, às trocas realizadas com as Mesorregiões Sudoeste e Noroeste.

Com característica agrícola, a Mesorregião Noroeste, que abrange os Municípios de Passo Fundo e Erechim, historicamente perde população por migração para as demais mesorregiões do RS. Contudo essa perda tem apresentado tendência de redução. Sua taxa líquida migratória foi de -4,8% em 1986-91 para -3,8% em 1995-2000, alcançando o valor de -1,4% em 2005-10, deixando de ser a mesorregião com maior perda relativa do Estado.

A Mesorregião Sudoeste (que compreende as fronteiras com o Uruguai e a Argentina) apresenta tendência inversa, pois a perda populacional nas trocas dentro do RS vem aumentando nos períodos. Sua taxa líquida migratória foi de 1,7% em 1986-91, -2,3% em 1995-2000 e -3,0% em 2005-10 (tornando-se a mais negativa do Estado). Sendo a mesorregião com a maior participação da agropecuária no PIB e com o segundo menor PIB per capita, perde população para as Mesorregiões Nordeste e Metropolitana de Porto Alegre — assim como ocorre com a Mesorregião Noroeste.

As Mesorregiões Centro-Oriental, Sudeste e Centro-Ocidental não obtiveram tendências definidas nos períodos. Com fluxos migratórios moderados, suas taxas líquidas migratórias com as demais mesorregiões, no período 2005-10, respectivamente, foram de 0,5%, -0,4% e -0,8%.

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