Mudanças na política do FED, incertezas globais

Em maio, uma nota técnica divulgada pelo presidente do Federal Reserve (FED, Banco Central dos EUA), Ben Bernanke, causou alvoroço nos mercados financeiros internacionais. Na nota, ele afirmou que o FED está próximo de reduzir a intensidade de suas compras de títulos, parte dos pacotes de salvamento utilizados pelo Governo norte-americano após a crise financeira de 2007-08, porém sem data definida para tal redução. Quanto às taxas de juros, manter-se-ão próximas a zero, enquanto a taxa de desemprego se mantiver acima de 6,5%. Foi o suficiente para uma “fuga para qualidade” de somas vultosas de dólares, que migraram novamente para os EUA e ampliaram o processo de valorização de sua moeda perante as demais, fenômeno que já ocorria neste ano, porém em ritmo mais lento.

Tal compra de títulos, conhecida como Quantitative Easing, chegou a um montante atual de US$ 85 bilhões ao mês. Foi a medida mais amplamente utilizada desde o início da crise, e representa uma ação não convencional do FED, que passou a comprar, no mercado secundário, uma miríade de títulos privados, incluindo ativos lastreados por hipotecas — os quais hoje representam cerca de 25% dos títulos negociados no mercado secundário, foco inicial da crise financeira.

As principais motivações do FED eram a manutenção do valor patrimonial dos títulos privados e a reativação do mercado de crédito. Pode-se dizer que a primeira missão obteve sucesso, tendo como provas a recuperação do Índice Dow Jones e a interrupção do processo de queda do valor dos imóveis. Já a segunda tem resultados mais controversos. O FED levou a cabo uma política de compras robusta, que resultou em um aumento de seu passivo com o Tesouro dos EUA, de US$ 839 bilhões antes da crise para mais de US$ 3,4 trilhões. Porém, os resultados em termos de ativação de crédito foram modestos, uma vez que grande parte dos recursos injetados a partir da compra de títulos pelo FED acabou retida pelos bancos privados, na forma de reservas não requeridas. As empresas não financeiras, setor que apresentou maior retomada na retirada de crédito, utilizaram parte expressiva desses recursos — mais de US$ 4 trilhões desde a crise — em investimento externo direto (IED), o que desvalorizou a moeda norte-americana. Em 2013, vê-se um movimento contrário, de redução de IED e recuperação do dólar.

As principais motivações do FED eram a manutenção do valor patrimonial dos títulos privados e a reativação do mercado de crédito. Pode-se dizer que a primeira missão obteve sucesso, tendo como provas a recuperação do Índice Dow Jones e a interrupção do processo de queda do valor dos imóveis. Já a segunda tem resultados mais controversos. O FED levou a cabo uma política de compras robusta, que resultou em um aumento de seu passivo com o Tesouro dos EUA, de US$ 839 bilhões antes da crise para mais de US$ 3,4 trilhões. Porém, os resultados em termos de ativação de crédito foram modestos, uma vez que grande parte dos recursos injetados a partir da compra de títulos pelo FED acabou retida pelos bancos privados, na forma de reservas não requeridas. As empresas não financeiras, setor que apresentou maior retomada na retirada de crédito, utilizaram parte expressiva desses recursos — mais de US$ 4 trilhões desde a crise — em investimento externo direto (IED), o que desvalorizou a moeda norte-americana. Em 2013, vê-se um movimento contrário, de redução de IED e recuperação do dólar.

Esse processo abre margem para especulações com diferenciais de taxa de câmbio e juros, e, sem surpresas, as moedas de países emergentes foram as mais afetadas pelo overshooting. As taxas de juros futuras desses países mostram-se pressionadas, principalmente as das nações que necessitam de hot money para equilibrar as suas contas externas e aquelas com maiores déficits em transações correntes como proporção do PIB.

Inicialmente, o Brasil foi um dos países que tiveram a moeda mais desvalorizada. Porém, dados o grande volume de nossas reservas internacionais e a relação déficit em transações correntes como proporção do PIB menor do que a maioria dos países emergentes, não parece ser candidato forte a um ataque especulativo e crise cambial no presente momento. Mas tal mudança no fluxo de recursos poderá amplificar a intensidade de mudanças já posta em curso na politica monetária.

A nossa moeda apresentou um padrão de desvalorização frente ao dólar maior do que a dos demais emergentes, o que culminou na retirada do IOF para todo o tipo de aplicações de estrangeiros. A medida havia sido posta em prática, em 2011, para funcionar como um “filtro” para o capital volátil, que, devido aos grandes diferenciais de juros pagos no Brasil, combinados com nossa livre mobilidade de capitais, fizeram com que o País se tornasse um grande centro de valorização financeira internacional durante a maior parte da ultima década — e ajuda a explicar a sobrevalorização do real verificada durante esses anos. Segundo o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, tais medidas eram pontuais, pois, na época, uma enxurrada de dólares migrava para mercados emergentes, o “tsunami” monetário causado pelo Quantitative Easing. Tal fala denota que a velha lógica deve voltar a ocorrer.

A depreciação cambial deverá impactar também as próximas decisões do Copom, em uma intensidade que irá depender dos movimentos do real frente ao dólar. É certo que haverá um cuidado para que a depreciação cambial não acelere o nível de preços internos. Devido ao momento político delicado por que passa o Governo a quase um ano das eleições, o excesso de zelo deve prevalecer no controle da inflação.

Mudanças na política do FED, incertezas globais

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