Mesmo acima da meta, inflação desacelera

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril fechou em 0,80%, acumulando uma inflação de 2,30% nos primeiros quatro meses do ano. Nesse mês, os preços administrados da gasolina e do gás participaram com 0,48% para a taxa alcançada. Assim como no mês anterior, quando o núcleo da inflação calculado pelo método das médias aparadas registrou um incremento de 0,58%, em abril o comportamento desse indicador se manteve em 0,57%. Isso demonstra que o núcleo da inflação se manteve elevado.

O mês de maio chegou ao final com o IPCA-15 — índice que converge com o IPCA, mas é medido do meio de um mês ao meio do mês seguinte — registrando um incremento de 0,42%, o que corresponde à expectativa de mercado de variação mensal de 0,41%. Responsável pelo maior impacto sobre o valor total obtido, a gasolina contribuiu com 0,15% na formação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo.

Instrumento utilizado pelo Bacen para o monitoramento do sistema de metas, o IPCA acumulou 7,98% nos últimos 12 meses e chegou a um ponto-limite. Isto porque os valores realizados até o corrente mês estão além daqueles esperados quando do início do corrente exercício.

Efetivamente, no início do corrente ano, as autoridades monetárias trabalhavam com a meta de 3,5% para o IPCA de 2002, implicando um limite superior de 5,5%. Todavia o valor acumulado nos últimos 12 meses alcançava uma taxa próxima a 8% em abril. A presença dessa diferença entre os valores esperados e realizados para o índice de inflação já ocorrera no exercício de 2001, ocasião em que a diferença alcançou cerca de dois pontos percentuais — acima do limite superior.

Para 2003, o Conselho Monetário Nacional trabalha com a hipótese de IPCA de 3,25% contra a estimativa do FMI de 3,9%. Neste final de junho, o País deverá fazer uma opção importantíssima, ao fixar a meta da inflação para o exercício de 2004. Dadas as condições atuais de aumento do Risco-País, de manutenção da taxa de juros em patamar elevado, de proximidade de uma sucessão presidencial e de um ambiente externo incerto, fica a dúvida sobre se as autoridades monetárias sinalizarão uma inflação ainda menor para 2004.

Quanto à comparação da inflação brasileira com o comportamento dos preços nos países desenvolvidos, vale lembrar as previsões para o biênio 2002-03, constantes do Panorama Econômico Mundial, publicado pelo FMI, em sua versão de abril. No âmbito dos países do G-7, a previsão de inflação mais elevada alcança 2,5% ao ano e refere-se ao Reino Unido em 2003. Isso significa que os valores da inflação brasileira para o corrente ano, embora reduzidos para a memória nacional, estão muito acima dos padrões vigentes no Primeiro Mundo.

Mesmo acima da meta, inflação desacelera

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