Mercados agrícolas oligopsônicos necessitam da regulação do Estado

Dados recentes mostram que quatro empresas respondem por 35% do mercado nacional de laticínios, e apenas duas, a Elegê e a Parmalat, por 70% do mercado gaúcho. São níveis de concentração industrial expressivos e especialmente altos quando referidos ao Rio Grande do Sul. Nesse caso, caracteriza-se uma elevadíssima concentração de compradores no mercado do leite in natura, o que, aliado a um perfil atomístico e homogêneo da oferta, configura um mercado de corte oligopsônico, no qual as indústrias em conjunto tendem a administrar preços, estabelecendo-os abaixo dos níveis considerados normais no mercado. Isso significa transferências importantes de renda do produtor rural para a indústria, ou, mais propriamente, para o resto da economia, via mecanismo de preços. Segundo os produtores e suas associações, este é justamente o caso do mercado leiteiro no Rio Grande do Sul. E, sendo assim, estamos diante de um conflito distributivo de renda a requerer a intervenção reguladora do Estado.

Além disso, se é verdade que a reestruturação dos laticínios, envolvendo concentração e internacionalização empresarial, teve como conseqüência um aumento expressivo da produtividade do leite in natura — evidenciando a face progressista e racional do processo —, é inquestionável, por outro lado, que os avanços econômicos já estão a cobrar seu preço no campo social em termos de uma redução brutal do número de pequenos produtores de leite. Aqui, também, se abre um espaço para políticas públicas compensatórias.

Mercados agrícolas oligopsônicos necessitam da regulação do Estado

Compartilhe