Massificação do consumo de veículos e transporte rodoviário de passageiros

A indústria automobilística é referência dentro do modelo de crescimento recente da economia brasileira. A sua importância estratégica em termos de emprego e geração de renda e impostos faz com que o setor seja alvo constante de políticas de governo, a exemplo das desonerações fiscais no pós-crise de 2007-08. Outro aspecto a destacar são os elevados impactos dentro de sua cadeia produtiva, que envolve importantes segmentos como aço, borracha e plástico, autopeças, motores, vidros, etc.

Em um contexto mais amplo, o crescimento do setor nos anos recentes deveu-se à massificação do acesso ao crédito, à queda das taxas de juros e ao aumento nos prazos médios de concessão. O impacto do segmento sobre o Produto Interno Bruto (PIB) transcende a sua própria produção, dado que há geração de renda na sua comercialização — tanto atacadista quanto varejista — e em outros serviços relacionados, que vão desde seguros e manutenção e reparação até comércio de combustíveis.

Dados recentes de primeiro emplacamento de veículos (Detran-RS) e de passageiros totais transportados pelas empresas autorizadas (DAER), exemplificados no gráfico, sugerem que há, no RS, um movimento de substituição do transporte público pelo deslocamento através de veículo próprio. O aumento recente do número de emplacamentos veio acompanhado de uma lenta e gradual redução do número de passageiros transportados por via terrestre, fenômeno que, analisado mais a fundo, é percebido em viagens tanto longas como curtas.

Observa-se, portanto, uma substituição dos meios de transporte rodoviários utilizados pela população gaúcha, que foi proporcionada pelo contexto econômico recente, no qual o consumo de automóveis expandiu-se de forma vigorosa. Esse efeito, no entanto, encontra claros sinais de esgotamento, uma vez que vem acentuando dificuldades de trafegabilidade e de deslocamento.

Massificação do consumo de veículos e transporte rodoviário de passageiros

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