Juros e spread bancário — evolução recente

Os juros e os spreads bancários (diferença entre as taxas de aplicação e a taxa de captação do mercado) foram fortemente influenciados pela crise e pelo ajuste pelos quais a economia brasileira passou a partir de meados de 2002. Os juros e os spreads praticamente apresentaram o mesmo comportamento, com crescimento até o final do primeiro trimestre de 2003 e, a partir daí, uma trajetória descendente.

A elevação da taxa de juros, nos meses iniciais de 2003, foi reflexo das incertezas ainda decorrentes do processo eleitoral de 2002 e da aceleração da inflação. Essa alta foi acompanhada pelo aperto monetário realizado pelo Banco Central, por meio de elevações na meta da taxa Selic e na alíquota do compulsório sobre depósitos à vista.

A trajetória de queda dessas taxas após o segundo trimestre pode ser explicada parcialmente pela melhoria no cenário macroeconômico de que é exemplo a queda da inflação, tornando possíveis a redução da taxa básica de juros e a redução dos depósitos compulsórios em agosto, com reflexo, portanto, nos custos dos empréstimos.

Com relação à evolução dos spreads, tanto o total quanto o de pessoa física cresceram entre jun./02 e mar./03 e sofreram redução a partir de então. Já o spread de pessoa jurídica apresentou crescimento só até dez./02, sendo decrescente no ano de 2003. Isso deveu-se ao fato de que o spread das operações de taxas pós-fixadas para pessoa jurídica teve uma queda significativa a partir de out./02 (após definição das eleições), refletindo a melhora nas percepções de risco por parte dos agentes econômicos.

Juros e spread bancário — evolução recente

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