Jovens no mercado de trabalho da RMPA

No ano 2000, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou um estudo intitulado Emplear a los Jóvenes: Promover un Crecimiento Intensivo en Empleo, que se constitui em um diagnóstico amplo sobre a situação dos jovens no mercado de trabalho, no âmbito internacional. De modo geral, o estudo demonstra uma maior adversidade dos jovens no mercado de trabalho em comparação ao grupo etário adulto em praticamente todas as nações.

No âmbito local, a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA) permite delinear um quadro da situação dos jovens de 16 a 24 anos no mercado de trabalho. Em termos demográficos, havia 610 mil jovens na RMPA em 2002, o que correspondia a 23,0% da População em Idade Ativa (PIA) com 16 anos ou mais. No que diz respeito ao mercado de trabalho, 417 mil jovens encontravam-se na População Economicamente Ativa (PEA), representando 24,2% da PEA metropolitana com 16 anos ou mais. É interessante destacar que os jovens evidenciavam
maior nível de engajamento no mercado de trabalho da RMPA, pois sua taxa de participação (68,4%) era superior à dos adultos (63,9%).

De acordo com a PED, havia 305 mil jovens ocupados na RMPA em 2002, o que significava praticamente 20,0% do número de ocupados com 16 anos ou mais. O estoque de desempregados jovens na RMPA era de 112 mil indivíduos, sendo sua participação de 43,4% no número de desempregados com 16 anos ou mais. Este último indicador deixa claro, portanto, que os jovens estavam mais do que proporcionalmente representados no contingente de desempregados
da RMPA. Essa afirmação pode ser também corroborada pela taxa de desemprego juvenil, que era de 26,9%, enquanto a do grupo etário adulto se situava em 11,2%. As causas dessa maior incidência do desemprego entre os jovens são complexas, mas se pode sugerir que elas estão associadas à ausência de experiência e de formação profissional adequada para a obtenção de uma ocupação.

Os jovens ocupados na RMPA tinham um nível de rendimento médio real de R$ 472,00 em 2002, o qual era aproximadamente a metade daquele dos adultos ocupados. Embora não seja possível aqui analisar as causas desse diferencial de rendimentos entre jovens e adultos, uma hipótese plausível para explicá-lo é a de que  grande parte dos jovens se encontram em postos de trabalho que se caracterizam por exigências modestas em termos de habilidades e nos quais a rotatividade no emprego é muito acentuada, o que incide negativamente sobre o seu nível de remuneração.

Esse quadro esboçado sobre a situação dos jovens no mercado de trabalho da RMPA remete para a necessidade de políticas públicas para esse contingente populacional. Nesse sentido, experiências como a do Programa Primeiro Emprego do Governo do Estado merecem ser reforçadas e aprimoradas, pois se constituem em tentativas de enfrentamento da maior adversidade encontrada pelos jovens quando de sua inserção no mercado de trabalho.

Jovens no mercado de trabalho da RMPA

Compartilhe