Jovens, escola e trabalho na RMPA

Os jovens estão em uma fase particular do ciclo de vida, na qual se dá a transição da escola para o trabalho. Isso os coloca numa relação de tensão permanente entre dois tipos de atividades distintas, que, conforme venha a ser resolvida, irá condicionar as possibilidades de uma inserção mais favorável no mercado de trabalho. A esse respeito, nos países da OCDE, o que se pode constatar é o aumento do número de jovens que estudam em tempo integral e a redução do número daqueles que somente trabalham, o que indica que a procura por maior instrução está postergando o seu ingresso no mercado de trabalho. No caso brasileiro, pesquisas também revelam que está se elevando entre os jovens a parcela relativa daqueles que se dedicam somente aos estudos, bem como tem aumentado o número médio de anos de escolaridade desse contingente populacional, ainda que permaneça uma situação de atraso no que se refere a esse último aspecto.

Jovens, escola e trabalho na RMPA

Na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), também está aumentando, entre a população juvenil, a parcela relativa daqueles que estão estudando, indicando a grande valorização dispensada por eles à educação. De acordo com os dados da PED-RMPA, em 2002, 20,2% dos jovens de 16 a 24 anos somente estudavam, sendo essa proporção bastante superior à existente em 1993, que era de 14,6%. Constata-se, igualmente, ter ocorrido entre os jovens uma elevação da participação relativa daqueles que estudam e trabalham e/ou procuram trabalho, de 17,5% em 1993 para 25,9% em 2002, o que demonstra que um número crescente de jovens necessita compatibilizar ambas as atividades. Em direção oposta, reduziu-se a proporção da população juvenil que somente trabalha e/ou procura trabalho — de 52,8% em 1993 para 42,3% em 2002. Cabe ainda fazer referência ao fato de que houve recuo, entre os jovens, da participação relativa daqueles que somente cuidam dos afazeres domésticos, que passaram a representar apenas 5,6% da população juvenil em 2002. Em termos gerais, essas mudanças podem ser consideradas socialmente positivas, pois revelam que se ampliou entre os jovens da RMPA a parcela relativa daqueles que estão estudando. Todavia há que se ressaltar que a proporção que só estuda ainda é diminuta, e uma parcela elevada, de quase 70%, encontra-se vinculada ao mercado de trabalho, interpondo dificuldades à sua formação escolar.

As mudanças acima descritas a respeito da situação dos jovens na RMPA podem estar respondendo a, pelo menos, duas ordens de fatores. Por um lado, diante de um mercado de trabalho cada vez mais seletivo em termos de requisitos de escolaridade formal, os jovens se vêem motivados a uma maior permanência na escola, ao invés da dedicação exclusiva à atividade laboral. Por outro, face ao baixo dinamismo da economia, os jovens, diante da perspectiva de ingressarem no mercado de trabalho e ficarem desempregados, acabam tendo um comportamento defensivo e voltam-se mais para as atividades escolares. Considera-se que o mais provável é que ambos os fatores estejam combinados, implicando a maior permanência dos jovens na escola.

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