Investimentos no exterior de empresas gaúchas selecionadas

Diversos fatores domésticos e externos influenciam a decisão de investir no exterior, tais como: participação das exportações no faturamento total da empresa, tipo de bem produzido (padronizado ou diferenciado), acesso aos insumos, pressão da concorrência nos mercados interno e externo, problemas de transporte e logística enfrentados na exportação. Além disso, o ambiente econômico nacional constitui um forte incentivo para a diversificação de riscos, já que a economia brasileira se caracteriza por flutuações conjunturais do nível de atividade que afetam as vendas no mercado interno. Do mesmo modo, o ambiente econômico e regulatório dos países receptores dos investimentos influencia a decisão de investir, quando o país-alvo apresenta potencial de crescimento do mercado e estabilidade das regras.

No Brasil, a relação entre o estoque do investimento direto no exterior (IDE) e o PIB ainda é muito baixa, não só quando comparada aos países em desenvolvimento da Ásia, mas também em relação a outros países da América do Sul, como Chile e Argentina. Contudo as mudanças ocorridas na economia do País com a estabilização econômica, a liberalização comercial, os acordos comerciais regionais e a redução do Risco-País, somadas à farta liquidez internacional, facilitaram o acesso ao financiamento externo.Conseqüentemente, surgiram novasoportunidades de negócios e aumentaram os IDEs de empresas brasileiras, incluindo os das gaúchas.

A necessidade de continuar crescendo incentivou os IDEs de empresas gaúchas, como a Gerdau e a Marcopolo, que já haviam conquistado parcela substancial do mercado brasileiro. Outro grupo de empresas investiu no exterior não só através da instalação de novas plantas industriais, mas também por meio da aquisição de plantas já existentes, abrindo escritórios comerciais (Lupatech), instalando centros de P&D, realizando parcerias para a transferência de tecnologia (Agrale, Artecola e Cinex), estabelecendo centros de distribuição e armazenagem (Agrale e Tramontina), ou negociando joint-ventures para a montagem de produtos no país de destino (Marcopolo e Randon).

Uma das principais características dos investimentos no exterior realizados recentemente por empresas gaúchas foi a maior diversificação de setores. A outra foi a expressiva quantidade de investimentos direcionados para a América Latina. Algumas delas concentraram todos seus investimentos nessa região, o que reforça a idéia de que as empresas tendem a dar os primeiros passos em mercados mais próximos em termos geográficos e culturais.

Investimentos no exterior de empresas

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