Investimentos: melhora não rompe estagnação

O 2º trim./05 revelou algumas surpresas positivas nas contas nacionais brasileiras divulgadas pelo IBGE. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,4% frente ao trimestre anterior (resultado ajustado sazonalmente) e 4,3% no acumulado dos últimos quatro trimestres. Esse resultado foi marcado pela recuperação dos investimentos medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), a qual, após queda de 3,6% nos primeiros três meses do ano, apresentou um crescimento de 4,5% no 2º trim./05, frente ao anterior, com ajuste sazonal. Por esse resultado, a FBCF representou a primeira fonte de crescimento do PIB no 2º trim./05, superando, inclusive, as exportações. Estas vinham-se constituindo no principal motor da tímida recuperação da economia brasileira. Outros indicadores importantes quanto ao comportamento do investimento, como a importação e a produção interna de bens de capital, também têm mostrado um comportamento positivo em 2005, apresentando crescimento acumulado nos primeiros sete meses do ano de, respectivamente, 28,3% e 2,6%.

O avanço na FBCF, contudo, não rompe com a histórica dificuldade da economia brasileira para ampliar o patamar dos investimentos em relação ao PIB. Até o presente momento, o novo arranjo de política econômica implantado, no País, após 1999 — câmbio flexível, metas de inflação e superávit primário — não foi capaz de impulsionar o investimento produtivo de forma continuada, com o nível da FBCF raramente ultrapassando os 19% do PIB em que se encontra atualmente. Sem uma vigorosa retomada dos investimentos, o pretenso êxito estabilizador da política econômica brasileira não se consubstanciará em aumento expressivo da produção ou melhoria das condições de vida da população.

Investimentos melhora não rompe estagnação

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