Investimento brasileiro direto no exterior: evolução recente

O estoque dos investimentos brasileiros diretos (IBD) compreende o saldo apurado dos estoques de ativos que residentes mantêm no exterior. Estes são formados por investimentos locais destinados a aquisição, subscrição e/ou aumento (total ou parcial) do capital social de empresas estrangeiras; empréstimos realizados entre matrizes e subsidiárias instaladas em outros países (empréstimos intercompanhia); e/ou lucros reinvestidos.

Uma das maiores dificuldades para analisar os movimentos de investimentos diretos de empresas brasileiras no exterior é a insuficiência das informações oficiais. Embora o Banco Central do Brasil (BC) disponibilize um censo anual do estoque de investimentos realizados no exterior, as informações fornecidas não garantem a identificação do país de destino final, nem a distribuição setorial efetiva desse estoque. Isto porque os paraísos fiscais são o destino geográfico de uma parcela significativa das declarações de ativos e, consequentemente, o destino setorial se concentra na atividade financeira ou no setor serviços. Apesar da escassez de informações, com base no censo e nos dados do Balanço de Pagamentos do BC é possível constatar que o estoque de IBD em 2011 atingiu US$ 202,6 bilhões e que os fluxos de investimento brasileiro direto no exterior têm um comportamento errático, embora tendencialmente ascendente.

Duas instituições brasileiras tentam cobrir a insuficiência das informações oficiais através de suas pesquisas: a Fundação Dom Cabral (FDC), por meio do estudo anual “Ranking das Transnacionais Brasileiras”, já na sexta edição, e o Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), com o “Índex de Investimentos Brasileiros na América do Sul e México” (IndexInvest Brasil), iniciado em 2007.

A pesquisa da FDC capta a atuação internacional de grandes grupos empresariais e empresas individuais com presença física no exterior. No Ranking de 2011, foram identificados 78 grupos com alguma forma de atuação internacional (escritórios comerciais, e/ou centros de distribuição, e/ou montagem, e/ou unidades produtivas, e/ou prestação de serviços, etc.). Dos respondentes da pesquisa, 30,9% tinham presença na América do Sul; 21,1%, na Europa; 16,8%, na Ásia; 12,6%, na América do Norte; 9,6%, na África; 7,4%, na América Central; e 1,7%, na Oceania. A América do Sul continua sendo o destino preferencial das empresas brasileiras, uma vez que a proximidade geográfica e cultural facilita os primeiros passos no processo de internacionalização de novos entrantes. Além disso, a aquisição de empresas na região permite aumentar as economias de escala e tornar as empresas brasileiras mais competitivas.

Para o conjunto das 20 empresas mais internacionalizadas, as receitas, os ativos e o número de funcionários cresceram tanto no mercado doméstico como no internacional. Quanto à importância do IBD para esse grupo de empresas, vale destacar que a participação das receitas no exterior, no total de receitas, representou 38,2%, os ativos no exterior somaram 34,6% dos ativos totais, e o número de funcionários no exterior atingiu 30,5% do total.

Conforme o ranking de 2011 da FDC, as cinco primeiras empresas são: JBS-Friboi (alimentos); Stefanini IT Solutions (tecnologia da informação); Gerdau (siderurgia e metalurgia); Ibope (pesquisa de mercado); e Marfrig (alimentos). Além da Gerdau, também constam no ranking mais sete empresas gaúchas: a Lupatech (equipamentos e peças), a Artecola (produtos químicos), a Marcopolo(veículos automotores e carrocerias); a Agrale (veículos automotores e implementos); a DHB (autopeças); a Randon(veículos automotores e autopeças); e a Altus (tecnologia da informação).

O IndexInvest Brasil procura registrar não só os investimentos dos grandes grupos nacionais, mas todo investimento direto brasileiro na América do Sul e noMéxico. Com base nele, constata-se que a distribuição geográfica dos investimentos brasileiros na região é bastante concentrada. Países como Argentina, Chile e Colômbia são os mais visados pelas empresas brasileiras,principalmente o primeiro deles. Dos 148 investimentos realizados nos países analisados, entre 2007 e 2011, 38% foram realizados na Argentina; 14%, no Chile; e 13%, na Colômbia.

A maioria dos investimentos para a Argentina destinouse à indústria, com destaque para calçados e couros, alimentos e bebidas e produtos químicos. Cabe salientar que 90% dos projetos realizados nesse país, no período 2007-11, são projetos de um amplo leque setorial, por valores individuais inferiores a US$ 100 milhões, ou seja, considerados médios ou pequenos.

Dessa forma, apesar do aumento recente dos IBD, aparticipação do País nos investimentos diretos mundiais ainda é muito baixa.

Investimento brasileiro direto no exterior evolução recente

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