Inversão do comportamento do desemprego entre homens e mulheres na RMPA

Estudos apontam que a diferenciação entre gênero ocorre desde o início da inserção feminina no mercado de trabalho. Contudo as mulheres estão vencendo as barreiras e aumentando, de uma forma lenta e gradual, sua participação no ambiente profissional.

Historicamente, para a Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), a taxa de desemprego das mulheres era superior à dos homens, e, não raro, elas representavam a maioria dos desempregados. Entretanto a deterioração do mercado de trabalho dos últimos meses parece estar afetando mais os homens do que as mulheres. Em ago./15, pela primeira vez na série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) iniciada em jun./92, observou-se uma igualdade nas taxas de desemprego entre homens e mulheres em 9,7%. Em set./15, a taxa de desemprego dos homens superou a das mulheres, sendo que a taxa masculina mais que dobrou no último ano, ao passar de 5,1% em set./14 para 10,3% em set./15 (aumento de 102%), enquanto a feminina subiu de 7,0% para 9,9% (aumento de 41,4%) no mesmo período.

Outro dado relevante é que os homens representavam 46,6% dos desempregados, e as mulheres, 53,4% em set./14, e esse comportamento se inverteu em set./15, passando para 54,5% e 45,5% respectivamente. Além disso, a diferença de gênero foi superior em 2015, passando de 6,8 p.p. a favor dos homens em set./14 para 9,0 p.p. a favor das mulheres em set./ 15, evidenciando uma maior adversidade masculina no mercado de trabalho.

Constata-se ainda que o desemprego tem afetado mais os chefes de domicílio, posição tradicionalmente ocupada por homens. Em set./15, houve um aumento de 105,6% da taxa de desemprego dos chefes de domicílio em relação a set./14. Quanto à faixa etária, identifica-se que o aumento do desemprego foi mais acentuado para os homens com idade entre 25 e 49 anos. O nível de escolaridade mais impactado pelo desemprego masculino foi para aqueles que possuem até ensino médio incompleto.

Uma possível explicação para esse comportamento desfavorável do mercado de trabalho atingir com maior intensidade os homens pode estar relacionada ao desempenho setorial da atividade econômica. No período set./14-set./15, houve uma redução do nível ocupacional em 37 mil pessoas. A indústria de transformação, considerada um reduto masculino, perdeu 34 mil postos de trabalho, enquanto o setor comércio e reparação de veículos e motocicletas, com grande presença feminina, perdeu 16 mil postos de trabalho. Os demais setores tiveram desempenho positivo no período: a construção com mais 1 mil postos e os serviços com mais 7 mil postos.

No setor industrial, as demissões atingiram mais os homens do que as mulheres. Em set./14, a indústria de transformação ocupava 21,8% dos homens e 12,8% das mulheres. Já em set./15, essas proporções passaram para 19,3% e 12,5% respectivamente. Em comércio e reparação de veículos e motocicletas, a ocupação feminina reduziu-se, passando de 19,4% em set./14 para 17,7% em set./15. Entre os ocupados homens, essa proporção aumentou de 20,1% para 20,6% no mesmo período. Os demais setores permaneceram estáveis nesse período de comparação.

O aumento da taxa de desemprego em set./15 atingiu predominantemente os homens, devido à retração do nível de atividade econômica ter impactado com mais intensidade os recintos masculinos, tais como a ocupação no setor da indústria de transformação e os chefes de domicílio. Isso pode ter uma relação com o diferencial de rendimentos entre gênero a favor dos homens e a busca por redução de custos por parte das empresas, atingindo aqueles com maiores salários.

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