Intensidade tecnológica da indústria gaúcha: como estamos?

Estudo da Organização Para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) classificou os setores industriais conforme o seu nível relativo de dispêndio em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) tecnológico. Usando essa metodologia, é possível classificarrem-se as indústrias de transformação gaúcha e brasileira em quatro classes, de acordo com sua intensidade tecnológica (IT): alta, média-alta, média-baixa e baixa. O mesmo pode ser feito com as exportações industriais.

Utilizando os dados mais recentes da Pesquisa Industrial Anual (PIA), do IBGE, de 2007, constata-se que apenas 2,6% da produção industrial gaúcha foram gerados em setores de alta IT, enquanto, na indústria nacional, foram de 7,1%. A melhor posição da indústria brasileira é explicada pela presença importante de setores de construção de aeronaves e de produtos farmacêuticos e eletrônicos. No caso do Rio Grande do Sul, o único setor de destaque entre os de alta IT é o de equipamentos de automação industrial. Quanto às exportações industriais do Estado em 2007, apenas 1,4% é classificado como de alta IT, bem abaixo dos 8,2% das vendas da indústria brasileira ao exterior.

Nos setores de média-alta IT, o RS consegue recuperar-se um pouco em relação ao Brasil. A existência de plantas importantes de produtos químicos e de máquinas e equipamentos em território gaúcho faz com que a participação do Estado nesses setores seja de 34,1%, frente aos 27,9% do Brasil. O mesmo ocorre com as exportações, que têm 31,1% de seus produtos oriundos de indústrias de média-alta IT. O principal mercado para os produtos gaúchos (principalmente tratores, máquinas agrícolas e químicos) é a América Latina, notadamente a Argentina.

A existência, ou não, de recursos naturais explica a diferença entre as participações de setores de média-baixa IT nas indústrias gaúcha (19,2%) e brasileira (32,1%). Os principais setores dessa classe são refino de petróleo e siderurgia, setores de grande importância no Brasil e de pequena no Rio Grande do Sul. Por serem indústrias de coeficientes de exportação relativamente baixos, a parcela de setores de média-baixa IT nas exportações é menor que suas participações na indústria. O Estado exporta, principalmente, derivados de petróleo, e o Brasil, produtos siderúrgicos.

Intensidade tecnológica da indústria gaúcha

Tanto a produção industrial gaúcha (44,1%) quanto a brasileira (32,9%) são dominadas por setores de baixa IT, caso em que predomina a indústria de alimentos e bebidas, com participações de 17,5% na indústria de transformação do Rio Grande do Sul e de 16,6% na do Brasil. Entretanto são os setores de móveis, fumo e calçados e couros, de grande relevância na indústria gaúcha, que explicam o fato de o RS possuir uma maior dependência de setores de baixa IT na comparação com o Brasil. No caso das exportações, a dependência é maior ainda, em razão de os setores relevantes do RS possuírem, relativamente, coeficientes de exportação maiores que os nacionais.

A análise das informações acima indica que a indústria gaúcha baseia sua produção mais fortemente em setores de média-alta e baixa IT (78,2%). A relevância, no Estado, dos setores de produtos químicos, de máquinas e equipamentos, do fumo e de calçados e couros explica essa distribuição. Por outro lado, a maior presença na indústria brasileira dos setores de aeronaves, de eletrônicos, do petróleo e de produtos siderúrgicos faz com que a indústria nacional tenha, na média, uma maior participação de setores com mais elevados gastos relativos em P&D tecnológico do que a indústria do Rio Grande do Sul.

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