Inovação e desempenho industrial

A análise da indústria gaúcha a partir de uma ótica de curto prazo revela que duas variáveis foram as principais responsáveis pela queda da produção iniciada em 2005: o clima e a taxa de câmbio. Além disso, a influência da taxa de juros sobre ramos industriais que dependem do crédito para sua comercialização e/ou para a aquisição de insumos e de componentes não é um fator desprezível.

Essa situação crítica sugere a necessidade do exame de alguns elementos estruturais, capazes de melhor orientar políticas de longo prazo e estratégias empresariais. A análise da evolução do processo inovativo na indústria gaúcha é, sem dúvida, um desses elementos. Atualmente, a Pesquisa de Inovação Tecnológica na Indústria (Pintec), lançada recentemente pelo IBGE, disponibiliza resultados relativos a 2000 e a 2003, que permitem efetuar algumas considerações sobre a atividade de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) industrial no Brasil e nos estados brasileiros.

Com base na Pintec, observa-se que, entre 2000 e 2003, a participação dos dispêndios das empresas em P&D na sua receita líquida registrou queda tanto no Brasil quanto no RS. Esse comportamento foi idêntico em alguns estados escolhidos, como é o caso dos demais estados do sul e de São Paulo. Constata-se também que as empresas gaúchas investiram menos em P&D do que a média nacional, tendo apresentado uma redução maior do que a do Brasil e a do Estado de São Paulo.

No Brasil, esse percentual passou de 0,64% em 2000 para 0,53% em 2003; em São Paulo, de 0,76% para 0,72%; e, no RS, de 0,58% para 0,40% respectivamente. Com relação aos outros estados do sul, a situação foi menos definida. No ano 2000, a participação dos dispêndios em P&D das empresas gaúchas foi superior à do Paraná (0,50%) e à de Santa Catarina (0,57%). Em 2003, o Estado do Paraná, mesmo tendo registrado queda, obteve uma participação superior à do RS. Já Santa Catarina sofreu a maior redução, registrando uma taxa de participação muito inferior à dos demais.

Esses números, isoladamente, não permitem chegar a conclusões definitivas, porém alertam para uma tendência que pode conter ameaças para a conquista, e mesmo para a manutenção, da participação da indústria gaúcha no mercado mundial de bens de maior valor agregado. Essa tendência é ainda mais preocupante, se forem considerados a importância das exportações para o RS e o papel central que desempenha a inovação na concorrência internacional. É verdade que essa queda detectada no Brasil e em todas as unidades da Federação está ligada a diversos fatores macroeconômicos que privilegiam o aumento da participação de produtos de menor conteúdo tecnológico na pauta de exportações. No entanto, um estado que tanto investiu na criação de uma infra-estrutura eficiente de P&D, pública e privada, não pode desperdiçar esse acúmulo em nome de interesses de curto prazo.

Inovação e desempenho industrial

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