Inovação e cooperação nos parques científicos e tecnológicos gaúchos: podemos comemorar?

Atualmente, o desenvolvimento de parques científicos e/ou tecnológicos (PCTs) constitui-se em um dos instrumentos mais utilizados, ainda que controversos, de política de inovação no mundo. Tais espaços podem trazer vantagens importantes no âmbito de três fatores essenciais para os processos de inovação tecnológica: (a) dinâmicas de aprendizagem associadas aos esforços de inovação; (b) dinâmicas de interação entre empresas e instituições, no sentido da promoção de redes de cooperação; e (c) conjunto de recursos existentes em cada território, que caracterizaria o capital territorial de cada região (patrimônios natural e cultural, recursos humanos, etc.). Desse modo, as empresas localizadas neles podem beneficiar-se da troca de informações, da possibilidade de parcerias com outras organizações, da infraestrutura e dos serviços de pesquisa e desenvolvimento e de incubadoras tecnológicas, elementos importantes, principalmente, para empresas emergentes em nichos específicos de mercado (start-ups) ou para empresas novas que surgem a partir de uma empresa maior, de uma universidade ou de um centro de pesquisa público ou privado (spinoffs).

Os três principais PCTs em operação no RS são o Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc), em Porto Alegre; o Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos), em São Leopoldo; e o Parque Tecnológico do Vale do Sinos (Valetec), que recentemente mudou de nome para Feevale Techpark, em Campo Bom; todos ligados a universidades e situados na Região Metropolitana de Porto Alegre. Uma de suas principais características positivas é a possibilidade de as firmas instaladas aproveitarem os conhecimentos de ciência e tecnologia acumulados e desenvolvidos nas instituições de ensino superior vinculadas a essas experiências. Isso é visível na tabela, em que se verifica que as universidades foram as instituições mais requisitadas pelas empresas hospedadas (para 22,6% das firmas) nos três parques, para cooperarem em atividades de inovação. Depois delas, os agentes com que tinham maior cooperação para inovar foram os clientes (12,9%) e outras empresas (11,3% com concorrentes e 10,5% com de outros setores). Chama atenção, também, a proporção de firmas (39,5%) que cooperaram para inovar, aparentemente baixa, mas significativa, se comparada à média das empresas industriais gaúchas e do País e mesmo dos PCTs brasileiros e da América Latina, porém não tão alta como em países centrais em termos de inovação (da Europa, EUA). Merece ser mencionada também a importante participação dos Governos, principalmente Estadual e Federal, no financiamento dos parques para suas atividades de inovação, configurando a necessária conjunção das universidades, das empresas e do Governo — na concepção conhecida como hélice tríplice.

Além dos três PCTs consolidados, estão em implantação mais 12 parques no território gaúcho, alguns já em operação, a partir de iniciativas locais e com o apoio de políticas públicas. Esses novos empreendimentos estão localizados em diversas cidades, como na Capital, em Pelotas, Rio Grande, Canoas, Santa Cruz do Sul, Lajeado, Santa Maria, Passo Fundo, Erechim, Alegrete e Bom Princípio.

Com base na experiência dos três parques consolidados, e, aparentemente, dos que estão sendo implantados, é possível afirmar que a ancoragem territorial (condições cognitivas e institucionais locais) das políticas é um fator essencial para o aproveitamento dos ativos e dos recursos já existentes no território e para a mobilização dos atores locais. Efetivamente, a participação do maior número de indivíduos e de organizações, com algum grau de coesão social, fornece maior garantia de continuidade das experiências. Tal configuração proporciona, ao mesmo tempo, maior capacidade às empresas de assimilar conhecimentos que estão fora da própria firma, do Estado ou, mesmo, do País. Dessa forma, nesses espaços, pode-se promover uma maior diversidade de fontes de conhecimentos (internos e externos) e facilitar a interação entre todos esses conhecimentos, de modo a gerar novos.

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