Indústria de material de transporte: bom desempenho, mas perspectivas pessimistas

Os indicadores de produção física da indústria gaúcha do IBGE referentes ao primeiro bimestre de 2002 registraram taxas de crescimento positivas, embora menores do que as observadas em igual período do ano anterior (respectivamente, 1,73% e 2,41%).

Um dos gêneros que contribuiu positivamente para esse desempenho, inclusive durante a maior parte de 2001, foi material de transporte, que compreende, no caso do Rio Grande do Sul, a montagem e a fabricação de caminhões, reboques e semi-reboques, implementos rodoviários, ônibus, carrocerias, chassis, autopeças, partes e acessórios para veículos de médio e grande portes (a fábrica da GM e seus sistemistas ainda não foram incorporados à pesquisa industrial mensal do IBGE). As taxas acumuladas de 4,8% em 2001 e de 21,3% no primeiro bimestre de 2002 refletem, em larga medida, os efeitos positivos da ocorrência de uma boa safra agrícola nacional, principalmente de grãos, com demanda por transporte aumentada (caminhões, reboques, semi-reboques e peças), assim como do bom momento vivido pelo mercado de transporte urbano (ônibus urbano e microônibus).

A atual performance do gênero material de transporte decorre, em grande parte, do processo de reestruturação da cadeia automotiva no Rio Grande do Sul. A introdução acelerada de inovações tecnológicas e organizacionais trouxe expressivas modificações para essa indústria, que já podem ser observadas tanto nas montadoras quanto nas empresas fornecedoras de partes, peças e sistemas de componentes. No âmbito dos esforços de capacitação produtiva e tecnológica, destaca-se a busca de associações (joint-ventures) e de acordos tecnológicos com empresas de outros países.

A Marcopolo, que é a maior fabricante de carrocerias de ônibus da América Latina, é um exemplo dessa estratégia. Recentemente, essa empresa fechou um acordo com a italiana Iveco para a transferência de tecnologia para a produção de carrocerias na China. Além disso, atribui à decisão estratégica de concentrar esforços no mercado externo — com o fechamento de contratos nas Américas, na África e no Oriente Médio —, paralelamente à crescente  internacionalização da companhia, o faturamento líquido superior a R$ 1 bilhão em 2001.

As perspectivas para a indústria gaúcha de material de transporte, contudo, não se mostram tão favoráveis. A interrupção da trajetória de queda da taxa de juros, o comportamento da taxa de câmbio e os efeitos da crise argentina vêm acarretando diminuição nos níveis de produção e vendas desses produtos. Particularmente importantes são os reflexos da acentuada retração do mercado argentino no primeiro trimestre de 2002 — importante país de destino das vendas externas de reboques, semi-reboques, carrocerias, peças e acessórios —, que neutralizou o desempenho positivo das exportações para o México e os Estados Unidos.

Indústria de material de transporte

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