Indústria de fumo gaúcha tem desempenho positivo no primeiro trimestre

Com um crescimento de 136,2% em fevereiro e de 21,7% em março, a fabricação de produtos do fumo é um dos poucos destaques positivos da indústria gaúcha no primeiro trimestre de 2016, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse período, foram criados 8.049 novos postos de trabalho com carteira assinada, o que representa um crescimento de 0,5%, ou 44 postos, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (ver tabela). Essa pequena elevação é resultado de um aumento significativo do emprego em fevereiro. Os empregos concentram-se em Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires, que são os dois municípios onde se situa o maior número de empresas do ramo.

Esse resultado chama mais atenção se for levado em conta o fraco desempenho da lavoura de fumo no RS. De acordo com o último Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, em abril de 2016, a quantidade produzida de fumo no Estado sofreu uma retração de 21,3% devido a condições climáticas adversas, tais como o excesso de chuvas e a ocorrência de granizo nos meses de setembro e outubro de 2015. Embora menor, a produção não teve sua qualidade afetada segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

No Brasil, embora o crescimento da produção de fumo tenha sido superior ao do RS, o saldo de admitidos e desligados ficou praticamente estagnado. Quanto ao estoque de empregos no setor em março, este apresentou, no RS, variação negativa de 0,9% em comparação a março de 2015. O estoque anual tem caído desde 2013, no RS, acompanhando a queda da produção industrial, sendo que o mesmo pode ser observado no Brasil, desde 2012. Em março de 2016, a indústria de fumo gaúcha representava mais da metade da nacional no tocante à quantidade de trabalhadores com carteira assinada. O movimento do emprego nesse segmento tem caráter sazonal, apresentando saldo positivo no período de janeiro a maio e negativo no resto do ano. Tradicionalmente, o pico das contratações ocorre no mês de março, momento em que a colheita do fumo é encerrada e se inicia sua comercialização para a indústria. De acordo com a Afubra, aproximadamente 86% do que é produzido têm como destino o mercado externo, principalmente União Europeia, China, Estados Unidos e Rússia. Vietnã, Polônia e Paraguai são os destinos com maior crescimento absoluto das exportações gaúchas desde 2007.

O volume exportado no primeiro trimestre cresceu 2,1%, mais uma vez impulsionado pelo desempenho excelente do mês de fevereiro (aumento de 33,4%), que compensou as quedas de janeiro e março. Já o valor sofreu queda de 9,2%, decorrente da redução nos preços médios. As exportações somaram 73,7 mil toneladas em volume e US$ 287,0 milhões em valor. O fumo não manufaturado e os desperdícios do fumo, de menor valor agregado, são responsáveis por mais de 90% do volume total embarcado no Rio Grande do Sul.

Apesar dos números positivos verificados no início do ano, a perspectiva para a indústria fumageira é de desaceleração nos próximos trimestres. Em fevereiro de 2016, a Souza Cruz confirmou a decisão de desativar a unidade de produção de cigarros situada em Cachoeirinha, o que deve motivar a perda de pelo menos 190 empregos diretos. Além da crise econômica, que afeta praticamente todos os setores produtivos no País, existe uma tendência histórica de redução da atividade. Desde 2002, início da série do IBGE, até 2015, a produção industrial de fumo caiu 34,5% no Estado. A restrição cada vez maior de locais para o consumo, a conscientização da população a respeito dos malefícios causados pelo cigarro, tanto no Brasil como nos Estados Unidos e na União Europeia, o aumento de tributos e da concorrência desleal com produtos contrabandeados no mercado doméstico são alguns dos fatores comumente referidos para explicar esse movimento.

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