Indústria calçadista segue em trajetória recessiva

A evolução recente dos principais indicadores setoriais da indústria calçadista vem delineando um panorama recessivo em termos tanto nacionais como regionais. No acumulado de janeiro a outubro de 2014, frente ao mesmo período de 2013, a produção industrial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra queda de 3,4% na atividade de preparação de couros e fabricação de calçados e artigos para viagem no Brasil e de 4,9% no Rio Grande do Sul.

Essa retração veio acompanhada da diminuição dos níveis de emprego formal no setor, com queda na geração de postos de trabalho, comprovada pelo saldo negativo entre admitidos e desligados, no período jan.-nov./14. No Rio Grande do Sul, a queda foi mais expressiva, tendo ocorrido em todos os segmentos dessa atividade, com ênfase na fabricação de calçados de couro, que representa 75% dos empregos formais gaúchos locados na fabricação de calçados (em termos de Brasil, esse percentual atinge 62%).

Nos últimos anos, como consequência da baixa competitividade externa, os fabricantes brasileiros passaram a direcionar parte expressiva da sua produção de calçados para o mercado interno. Assim, o atual enfraquecimento da demanda interna, somado às instabilidades políticas e econômicas nos principais mercados — como a Argentina —, foi decisivo para o fraco desempenho das indústrias calçadistas gaúcha e brasileira em 2014. Contribuíram para esse quadro o cenário de incertezas derivado das eleições, as bruscas oscilações cambiais e o surpreendente efeito inibidor da Copa do Mundo, que direcionou o consumo para produtos da linha branca e setores de serviços.

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