Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) — 2000-10

O Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, elaborado, em 2014, pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA), pela Fundação João Pinheiro (FJP), e pelo Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), permite uma análise da realidade socioeconômica intrametropolitana não perceptível nos indicadores apoiados em outros níveis geográficos. A RMPA foi dividida, em 2010, em 722 Unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs), formadas pela agregação de setores censitários, com características socioeconômicas homogêneas. Por meio das UDHs, foram identificadas as disparidades entre as áreas metropolitanas, nas dimensões conhecimento (IDH-Educação (IDH-E)), direito a uma vida longa e saudável (IDH-Longevidade (IDH-L)) e a um padrão de vida digno (IDH-      -Renda (IDH-R)). Os níveis de desenvolvimento humano variam de 0 a 1, podendo ser: muito baixo (0 a 0,499); baixo (0,5 a 0,599), médio (0,6 a 0,699), alto (0,7 a 0,799) e muito alto (0,8 a 1).

A RMPA atingiu um IDH de 0,762 em 2010, superior ao IDH brasileiro, de 0,727, porém caiu da quarta para a nona posição entre as 16 regiões metropolitanas (RMs) analisadas no período. O mais elevado IDH foi encontrado na RM de São Paulo (0,794); e o mais baixo, na RM de Manaus (0,720).

No período 2000-10, nas 335 UDHs localizadas no Município de Porto Alegre, o número de áreas com IDH alto e muito alto aumentou, enquanto houve uma redução no número de áreas com IDH baixoemuito baixo. Quanto aos demais municípios da RMPA, o percentual de áreas com índices altoemuito alto subiu de 14% para 54,8%, enquanto as de IDH baixo e muito baixo se reduziram de 50% para 1,8%. Em 2010, nenhuma área da RMPA apresentou índice de desenvolvimento humano muito baixo; 60,3% das UDHs registraram índices muito alto e alto; 35,9%, médio, e apenas 3,9%, baixo. Os maiores índices (0,9 a 0,958) foram encontrados em Porto Alegre (48 UDHs), em Novo Hamburgo, na UDH Centro/Vila Rosa, e em São Leopoldo, na UDH Centro e entorno. Os menores índices (0,5 e 0,596) situaram-se em Porto Alegre (21 UDHs), em Novo Hamburgo (seis UDHs) e em Canoas, na UDH Matias Velho/Harmonia.

Para a avaliação da longevidade, foi utilizado o IDH-L, obtido a partir do indicador esperança de vida ao nascer. O IDH-L do Brasil passou de médio, em 1991, para alto, em 2000, chegando a muito alto em 2010. Em 2000, a RMPA apresentava o mais elevado IDH-L dentre as 16 RMs avaliadas, sendo ultrapassada, em 2010, pela RM do Distrito Federal e entorno. No período 2000-10, a esperança de vidaao nascer do Brasil passou de 68,6 anos para 73,9 anos, enquanto, na RMPA, aumentou de 73,6 para 76,3 anos, o menor crescimento entre as regiões analisadas. Foram verificados índices superiores a 0,95 na RMPA apenas em Porto Alegre, nas UDHs Bela Vista, Independência (André Puente), Três Figueiras, Moinhos de Vento, Rio Branco (IPA), Menino Deus (Ganzo/Visconde do Herval), Vila Ipiranga (Iguatemi/Germânia) e Belém Novo (Mário Carvalho), com esperança de vida ao nascer de 82 anos. Já índices abaixo de 0,76 foram localizados apenas em Canoas, nas UDHs Guajuviras A, Harmonia/Centro e São Luis, com esperança de vida ao nascer de 70 anos, 12 anos a menos do que a das áreas com índices superiores.

Quanto à educação, o IDH-E considera, em sua composição, os subíndices: frequência escolar, com peso de 2/3, e escolaridade, com peso de 1/3. O IDH-E do Brasil, classificado como muito baixo em 1991 e em 2000, passou para médio em 2010. O IDH-E da RMPA passou de baixo(0,524), em 2000, para médio (0,649) em 2010, nível alcançado por 11 RMs no período. Os índices mais elevados, verificados em cinco regiões, ficaram entre 0,7 a 0,737. Os mais elevados IDH-E da RMPA, entre 0,9 e 0,95, foram encontrados em UDHs de Porto Alegre e Novo Hamburgo, e os menores, abaixo de 0,43, situaram-se em UDHs de Canoas e, também, de Novo Hamburgo.

Para analisar o rendimento, o IDH-R é calculado a partir do indicador renda per capita. O IDH-R do Brasil classificava-se como médio em 1991 e em 2000, passando para alto em 2010. Nesse ano, a renda média domiciliar per capita da RMPA foi de R$ 1.143,12, face à de R$ 793,87 do Brasil. Os mais elevados índices da RMPA, entre 0,95 e 1, foram encontrados nas UDHs de Porto Alegre e Novo Hamburgo, e os menores, de 0,6 a 0,62, situaram-se em Canoas, nas UDHs Guajuviras A, Harmonia/Centro e São Luis, com renda média per capita de R$ 374,26. A renda média per capita mais alta, de R$ 7.216,42, foi registrada em Porto Alegre, nas UDHs Bela Vista, Independência (André Puente), Três Figueiras, Moinhos de Vento, Rio Branco (IPA), Menino Deus (Ganzo/Visconde do Herval), Vila Ipiranga (Iguatemi/Germânia) e Belém Novo (Mário Carvalho).

O IDH metropolitano apontou uma melhora significativa no nível de desenvolvimento humano e a redução das disparidades entre as 16 RMs estudadas, todas com IDH alto em 2010. Na RMPA, observou-se que, em 2000-10, o percentual de UDHs com nível de desenvolvimento baixo (IDH entre 0 e 0,59) reduziu-se de 41% para apenas 3,9%, enquanto o percentual de áreas com desenvolvimento elevado (IDH entre 0,7 a 1) mais que dobrou, passando de 28,3% para 60,3%. No entanto, no quesito renda, a disparidade entre as áreas metropolitanas ainda é elevada, uma vez que a renda per capita das UDHs de maior renda corresponde a 19 vezes a renda das UDHs mais carentes da RMPA.

drope6

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