Idese: evolução no decênio 2000-09

O Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese) do Rio Grande do Sul, quando analisado ao longo do decênio compreendido entre 2000 e 2009, apresenta uma evolução crescente. Em toda a série, verifica-se uma variação gradual e consistente, quando se compara o Índice anual calculado contra o do ano imediatamente anterior.

O Idese é um índice sintético que envolve quatro blocos distintos (Educação; Renda; Saneamento e Domicílios; e Saúde), cada um com um número diferente de indicadores. Esses indicadores, ou subíndices, procuram avaliar o desenvolvimento econômico e social dos municípios do RS em diferentes dimensões. Ao longo do decênio 2000-09, o Idese teve uma variação positiva de 3,9%, partindo do valor de 0,747 em 2000 para 0,776 em 2009.

O Índice do bloco Educação, composto por quatro indicadores (taxas de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais; taxa de abandono no ensino fundamental; taxa de reprovação no ensino fundamental; e taxa de atendimento no ensino médio), era de 0,838 em 2000 e passou para 0,870 em 2009, com uma variação de 3,8%. Houve progressos em todos os indicadores desse bloco, com exceção da taxa de reprovação. A taxa de analfabetismo teve uma redução de 6,65% para 4,60%; a taxa de abandono no ensino fundamental decaiu de 4,91% para 1,55%; e a taxa de atendimento no ensino médio (considerando a população do RS na faixa dos 15 aos 19 anos), que era de 46,75% em 2000, elevou-se para 59,65% em 2009. Por outro lado, a taxa de reprovação era de 13,94% e teve um leve aumento, para 14,48%. Apesar de o Índice do bloco Educação do RS estar acima de 0,8, o que garante o padrão de elevado desenvolvimento nessa área, pode ser inferido, a partir da avaliação dos indicadores que o compõem, a necessidade de continuidade dos avanços. A taxa de analfabetismo pode ser reduzida, tornando-se insignificante, como é o caso dos países mais desenvolvidos. Já a taxa de atendimento no ensino médio pode e deve progredir muito mais, pois cerca de 40% da população gaúcha entre 15 e 19 anos, tomada como a ideal para frequentar esse nível de ensino, se encontra sem atendimento. Quando se tomam como referência as nações mais desenvolvidas, a taxa de atendimento no ensino médio é superior aos 90% na faixa etária dos 15 aos 19 anos.

Já o Índice do bloco Renda, integrado por duas variáveis (PIB per capita e VAB per capita do comércio, alojamento e alimentação), tinha, em 2000, um valor de 0,738, que aumentou para 0,813 em 2009, tendo esse bloco também alcançado o padrão de desenvolvimento elevado. Deve ser ressaltado que a variação de 10,2%, registrada nesse bloco, foi a que mais contribuiu para o crescimento do Idese entre 2000 e 2009. Esse período caracterizou-se por altos e baixos na economia gaúcha, que oscilou entre períodos de expansão, como nos anos 2000-04 e 2006-08, e de retração, como nos anos 2005 e 2009. Mesmo assim, o saldo do decênio foi positivo no que se refere ao comportamento da renda e da produção estaduais. Isso teve uma importância decisiva na melhoria do Idese ao longo do período.

O bloco Saneamento e Domicílios indica que ficou estagnado o desenvolvimento socioeconômico do RS nessa dimensão. O valor do Índice era de 0,561 em 2000 e passou para 0,569 em 2009, variando apenas 1,4%. Cumpre destacar que mesmo esse tênue crescimento foi devido a uma pequena redução da média de moradores por domicílio, um dos indicadores que compõem o bloco. Esse indicador era de 3,34 em 2000 e caiu para 2,95 em 2009. Os outros dois indicadores que compõem o Índice, que são o percentual de domicílios abastecidos com água e o percentual de domicílios com esgoto sanitário, permaneceram constantes, porque são calculados com dados censitários, sendo os últimos disponíveis referentes ao ano 2000. A análise do Censo 2010 mostra alguma melhora nesses indicadores, embora ainda insuficiente para reverter o quadro médio de desenvolvimento.

O bloco Saúde, com três indicadores (percentual de crianças com baixo peso ao nascer; taxa de mortalidade de menores de cinco anos; e esperança de vida ao nascer), teve uma pequena queda (-0,2%). Seu valor era de 0,852 em 2000, caindo para 0,850 em 2009. A taxa de mortalidade de menores de cinco anos, que, em 2000, foi de 17,80 para cada 1.000 nascidos vivos, caiu, em 2009, para 13,49. Por outro lado, o percentual de crianças com baixo peso ao nascer, isto é, com menos de 2,5kg, teve aumento de 8,74% em 2000 para 9,27% em 2009. A rigor, a elevação nesse indicador impediu o avanço estadual do bloco Saúde. A expectativa de vida para o RS era de 72,0 anos em 2000 e, por ser um dado censitário, permaneceu com o mesmo valor em 2009.

Idese evolução no decênio 2000-09

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