Exportações gaúchas: o que esperar de 2002

É pouco provável que o RS repita em 2002 a performance exportadora de 2001, que atingiu US$ 6,35 bilhões. De janeiro a julho, as exportações gaúchas haviam alcançado US$ 3,56 bilhões, 5% aquém do verificado em igual período do ano anterior. A débâcle argentina foi a maior responsável por essa queda, que o discreto crescimento econômico dos EUA não conseguiu compensar plenamente. Além disso, outros fatores conjunturais vêm atingindo de forma diferenciada cada mercado específico.

Os exportadores de calçados, produto mais exportado pelo Estado, redirecionaram, em parte, a produção não comercializada na Argentina, graças, principalmente, às vendas para o México, que passou da sexta para a terceira posição entre os importadores de calçados gaúchos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido. Os produtores de móveis também buscaram o redirecionamento, mas, de significativo, só conseguiram aumentar as vendas para os Estados Unidos, já seu principal comprador. A mesma sorte não tiveram as empresas do Pólo Petroquímico de Triunfo: sem conseguir, até o momento, substituir as perdas nos fluxos para a Argentina, deverão fechar o segundo ano consecutivo com queda nas exportações — talvez não tão expressiva, porque a base de comparação, igual período do ano anterior, já se apresentava bastante deprimida.

Para os produtos pouco ou nada dependentes do mercado argentino, de uma maneira geral, a situação está melhor. É o caso do fumo, que, além de uma safra recorde e de boa qualidade, foi favorecido pela queda na produção de dois grandes concorrentes, os Estados Unidos e o Zimbábue. Por outro lado, dificilmente o complexo soja repetirá a performance do ano anterior, devido à frustração da safra e à esperada retração das importações da China — principal compradora de grãos de soja do Estado. Mesmo que se confirmem os comportamentos positivos das exportações de farelo e, especialmente, de óleo de soja, isso provavelmente não deverá compensar as perdas na venda do grão.

Também as exportações de carne de frango se encontram fragilizadas. Em 2001, seu excelente desempenho foi influenciado por problemas sanitários no rebanho bovino europeu e no avícola dos Estados Unidos, que viabilizaram ganhos de mercado na Europa e no Japão respectivamente. Em 2002, as exportações gaúchas estão sob fogo cerrado: no mercado europeu, os produtores  locais conseguiram aprovar uma medida protecionista que começará a surtir efeito a partir do final de outubro; no japonês, os Estados Unidos estão de volta ao mercado. Já as projeções de crescimento para as vendas externas de outros importantes produtos industriais — como motores diesel, carrocerias, ônibus e tratores —, provavelmente se concretizarão, uma vez que, na maioria dos casos, se baseiam em contratos já assinados e que dificilmente deixarão de ser honrados.

Exportações gaúchas o que esperar de 2002

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