Expectativa de vida ao nascer no Rio Grande do Sul, no período 2000-14

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga anualmente as Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil, que são usadas pelo Ministério da Previdência Social como um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário ao se calcularem as aposentadorias do Regime Geral da Previdência Social. As Tábuas apresentam informações sobre probabilidades de morte por sexo e idade, estimativas da taxa de mortalidade infantil, além da expectativa de vida às idades exatas até os 80 anos. Esses indicadores são fundamentais para avaliar as condições socioeconômicas de uma região, auxiliar na elaboração de políticas públicas, e para que se possam comparar os dados do Brasil com os níveis alcançados por outros países.

O último dado divulgado revela que, em 2014, a expectativa de vida ao nascer do brasileiro era de 75,2 anos, sendo de 78,8 para as mulheres e de 71,6 para os homens, uma diferença de 7,2 anos entre os sexos. Em 2000, esses indicadores eram, respectivamente, 69,8, 73,9 e 66,0 anos, sendo que a diferença entre os sexos era maior, de 7,9 anos. De fato, verifica-se que houve uma ampliação mais expressiva na expectativa de vida dos homens, a qual aumentou 5,6 anos no período, enquanto, para as mulheres, o acréscimo foi de 4,9 anos.

O IBGE também divulga alguns indicadores de mortalidade para as unidades da Federação, sendo possível estabelecer comparações bastante reveladoras. Em 2000, o Rio Grande do Sul apresentava a maior expectativa de vida ao nascer entre as unidades da Federação, que era de 72,4 anos. Para as mulheres, era de 76,2 anos, sendo também o primeiro colocado. Quanto à expectativa de vida ao nascer dos homens, o RS aparecia em segundo lugar, sendo ultrapassado apenas por Santa Catarina. O diferencial por sexo era um pouco menor que o do Brasil: 7,6 anos.

Em 2014, a expectativa de vida ao nascer do gaúcho alcançou 77,2 anos, tendo caído para a quinta colocação entre as unidades da Federação, estando em pior situação do que Santa Catarina, Distrito Federal, Espírito Santo e São Paulo. O aumento na expectativa de vida ao nascer da população gaúcha no período 2000-14 foi de 4,8 anos, acréscimo inferior ao dos nove primeiros colocados no ranking da expectativa de vida ao nascer das unidades da Federação em 2014; muito abaixo do aumento estimado para o Espírito Santo, por exemplo, que foi de 7,1 anos. Também em quinto lugar manteve-se a expectativa de vida ao nascer para o sexo feminino, cujo valor foi de 80,6 anos, tendo Santa Catarina, São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais um desempenho melhor que o RS nesse indicador. Já para o sexo masculino, Santa Catarina, Espírito Santo, Distrito Federal e São Paulo apresentaram melhores níveis de mortalidade que o Rio Grande do Sul, onde a expectativa de vida ao nascer dos homens foi estimada em 73,7 anos. A diferença entre os sexos no Estado era um pouco inferior à do Brasil em 2014: uma mulher gaúcha podia esperar viver em média 6,9 anos a mais que um homem gaúcho.

Se, no século passado, os níveis de mortalidade nos primeiros anos de vida eram altos, com o avanço da medicina e a descoberta de antibióticos no combate às doenças infecto-contagiosas, o perfil epidemiológico mudou, dando espaço às doenças degenerativas relacionadas ao envelhecimento, como problemas cardíacos. Mais recentemente, várias ações foram tomadas com o objetivo de reduzir não apenas a mortalidade infantil, como a das demais idades, como maior atenção ao atendimento pré-natal, incentivo ao aleitamento materno, campanhas massivas de vacinação, agentes de saúde comunitários, etc. Além disso, o aumento da escolaridade e da renda, e o aperfeiçoamento do saneamento básico dos domicílios também tiveram influência na melhora geral do nível de mortalidade no Brasil e na elevação da expectativa de vida.

A mensuração dos níveis de mortalidade através da expectativa de vida ao nascer indica que o Rio Grande do Sul está perdendo posição frente às demais unidades da Federação, fato que merece uma investigação mais detalhada para que políticas públicas específicas possam ser implementadas.

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