Expansão da população asiática no Brasil e no RS

Os últimos censos demográficos do IBGE revelaram que, enquanto a população brasileira cresceu 12,3% — e a gaúcha, 5,0% — na primeira década dos anos 2000, a população de origem asiática registrou um crescimento de 176,4% no País e de 267,5% no Rio Grande do Sul, no mesmo período. A população asiática tem apresentado um crescimento notavelmente superior ao das demais etnias em todas as regiões do País e já representa 1,1% da população total que vive no Brasil, totalizando 2,1 milhões, e 35,5 mil no RS, em 2010.

Nos últimos anos, a população asiática tem escolhido residir nas regiões do Brasil que apresentavam menor participação de asiáticos no início da primeira década dos anos 2000, principalmente na Região Nordeste, que foi alvo de grandes investimentos recentes em infraestrutura e serviços e que apresenta um grande aumento na demanda por mão de obra. A Sudeste era, em 2000, a região que apresentava a maior proporção de asiáticos (0,71%) e foi a que apresentou o menor crescimento populacional dessa etnia (75,4%), enquanto a Nordeste, que apresentava, no mesmo ano, a menor proporção (0,14%), foi a região que apresentou o maior crescimento desse contingente (839,3%) na década. São Paulo e Paraná, que eram os estados com maior população absoluta asiática nos anos 2000, também foram os com menor crescimento de asiáticos (24,9% e 40,5% respectivamente), fazendo com que o Paraná perdesse sua posição para Minas Gerais.

O tempo médio de moradia da população asiática residente no RS é de 20,3 anos e de 17,6 anos no seu atual município. Dentre os que nasceram no exterior, 46,4% são japoneses; e 37,4%, chineses. Desses, 10,1% fixaram residência no Brasil em 1959 (vindos do Japão); e 9,2%, em 1998 (principalmente chineses). O período pós Segunda Guerra foi o que registrou a maior vinda de japoneses trabalhadores agrícolas para o Brasil, com auge em 1959, e a crise financeira asiática de 1997-98 foi a responsável por trazer o maior número de chineses ao País.

A população asiática do RS é predominantemente urbana (79,7%), com média de 2,1 filhos, idade média de 34,9 anos e majoritariamente do sexo feminino (51,6%). Os japoneses apresentam, em média, um nível de instrução inferior ao dos chineses: enquanto 42,4% dos nascidos no Japão não têm instrução ou possuem apenas o ensino fundamental incompleto, 42,6% dos nascidos na China possuem o ensino médio completo ou o superior incompleto. Os chineses residentes no Estado têm, em média, 1,1 filho, enquanto os japoneses têm, em média, 3,0 filhos. A ocupação de japoneses e chineses é bem distinta: enquanto os primeiros se concentram em atividades ligadas à agricultura (45,0%), os últimos trabalham mais no comércio (30,5%) e como pequenos empregadores (29,1%).

O retorno de muitos migrantes brasileiros com suas famílias ao Brasil, em consequência da crise econômica mundial de 2007-08, pode ser apontado como um fator que contribuiu para o aumento significativo de asiáticos no Brasil, ao longo da primeira década dos anos 2000. De acordo com os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o período que registrou o maior crescimento na população asiática residente no País, desde 2001, foi o de 2007-08. No Estado, somente no ano de 2008 a população asiática registrou um crescimento de 175,0%.

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