Evolução estrutural da indústria de transformação do RS — 2007-15

Parte das transformações da estrutura industrial do Brasil (e do Rio Grande do Sul), ao longo das últimas décadas, é vista como pertencente a um processo de desindustrialização. Tal processo caracteriza-se pela perda de participação da indústria de transformação na economia, pela diminuição do adensamento e perda de cadeias produtivas e pela ampliação de setores menos intensivos em tecnologia na estrutura industrial. Esse resultado reflete-se negativamente na capacidade da indústria em liderar e dinamizar o crescimento econômico. Para se analisar como essas mudanças se processaram no interior da indústria gaúcha, este trabalho procura mostrar a evolução da estrutura do valor da transformação industrial (VTI) como proxy do Valor Adicionado entre 2007 e 2015, classificando as indústrias em baixa, média-baixa, média-alta e alta tecnologia, conforme a Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No período em análise, a economia mundial atravessou um ciclo de valorização dos preços das commodities primárias e minerais, cujo impacto na indústria brasileira refletiu-se na expansão da indústria extrativa, no VTI total e na queda da indústria de transformação (de 91,9% para 88,1%). No Rio Grande do Sul, diferente do Brasil, a indústria extrativa é menor, tendo a indústria de transformação preservado a sua participação em torno de 99,3% do VTI total.

Dessa forma, considerando-se apenas o VTI da indústria de transformação, conforme o grau de intensidade tecnológica, é possível observar que, no Rio Grande do Sul, 69,7% do VTI é gerado pelas atividades de menor intensidade tecnológica (baixa e média-baixa), ao passo que, na indústria brasileira, essa participação é de 67,7%. Entre as indústrias de baixa tecnologia, cuja participação aumentou para 46,0% em 2015, frente aos 43,1% de 2007, destaca-se o crescimento da participação da fabricação de alimentos (de 14,3% para 20,3%) e a queda da participação das atividades intensivas em trabalho, como a indústria coureiro-calçadista (de 8,3% para 6,7%). Nas atividades de média-baixa tecnologia, cuja participação passou de 20,3% para 23,7%, o grande destaque foi o crescimento da participação da produção de produtos de petróleo, que passou de 2,2% para 8,0% do VTI da transformação entre 2007 e 2015.

As indústrias de média-alta tecnologia apresentaram a maior perda de participação na indústria gaúcha no mesmo período, passando de 34,1% em 2007 para 28,5% em 2015. Os setores que mais contribuíram para essa retração foram: o de fabricação de veículos, reboques e carrocerias (de 9,8% para 7,6%) e o de produtos químicos (12,3% para 9,2%). As indústrias de alta tecnologia, tanto na estrutura industrial brasileira quanto na gaúcha, também perderam participação, passando de 6,9% para 6,3% no Brasil, e, de 2,5% para 1,8% no Estado. Essa perda de participação ocorreu em quase todas as atividades, com exceção da fabricação de instrumentos para uso médico e odontológico.

Mesmo que as transformações na indústria gaúcha tenham sido pequenas, esse movimento acompanhou as mudanças que se processaram no âmbito da indústria nacional, resultantes do aprofundamento da participação das atividades em que o País detém vantagens comparativas decorrentes da existência de recursos naturais. Nesse sentido, a direção dos investimentos foi para setores associados a commodities (agroindustriais) e a indústrias representativas de um padrão tecnológico de menor intensidade tecnológica, cuja característica marcante tem sido a limitada potencialidade para desencadear inovações e ganhos de produtividade.

Diante do fato de que o escopo para a mudança tecnológica varia substancialmente entre os setores, a velocidade do progresso tecnológico e do crescimento da produtividade dependerá, portanto, da dinâmica da transformação estrutural da economia. Nesse sentido, torna-se cada vez mais importante a formulação de política pública (industrial, científica e tecnológica) como forma de direcionar a estrutura da indústria para atividades mais dinâmicas, caracterizadas pelo acelerado progresso tecnológico e por ganhos de produtividade capazes de impulsionar o crescimento sustentado da economia.

Compartilhe