Evolução da participação da economia do RS, por setores, na do Brasil

Grande atenção tem sido dada à evolução da participação da economia gaúcha no total da economia brasileira. Essa variável tem a função de relativizar o desempenho da economia estadual, comparando-a com a economia nacional. Porém, ao se fazer isso, deve-se lembrar que ela é a agregação de várias atividades e que a economia brasileira é composta de estados com grandes diferenças entre si.

No período 2002-11 (disponível nas Contas Regionais), a participação do RS caiu de 7,2% para 6,4%, o que motiva tentativas de explicação para esse fato. Nesse período, houve uma desconcentração da renda entre as Regiões, com as mais ricas, Sudeste e Sul, perdendo -1,3 e -0,8 pontos percentuais (p.p.), respectivamente, de participação no PIB brasileiro, enquanto tiveram ganho as Regiões Nordeste (0,5 p.p.), Centro-Oeste (0,8 p.p.) e Norte (0,8 p.p.).

Desagregando-se essa informação para o nível estadual, das 27 unidades da Federação, apenas cinco perderam participação nesse período: SP (-2,3 p.p.), RS (-0,8 p.p.), RJ (-0,4 p.p.), PR (-0,3 p.p) e BA (-0,2 p.p). Já os estados que mais tiveram ganho foram MG (0,9 p.p.), ES (0,5 p.p), PA (0,5 p.p.) e MT (0,4 p.p).

Assim, apesar do movimento de transferência de produção das regiões com mais renda para aquelas com menos renda, o movimento entre os estados mostra alguns com um nível de renda per capita alta, como ES, e outros com PIB elevado, como MG, o terceiro maior PIB do País, ganhando participação.

Dividindo o PIB nas sete atividades da tabela, o RS ganhou participação apenas na atividade serviços industriais de utilidade pública (SIUP), 1,3 p.p, passando de 5,1% para 6,4% do total da produção do setor no Brasil. Nessa atividade, houve uma perda da participação de SP e ganho nos Estados de RS e SC e na Região Nordeste.

Já as duas atividades nas quais o RS perdeu mais participação foram comércio (-1.6 p.p.) e transformação (-0.9 p.p.). No comércio, o RS caiu de 8,1% para 6,5% do total produzido no País, ficando junto a SP (-2,0 p.p.) e RJ (-1,5 p.p.); enquanto isso, ganharam SC (1,0 p.p.) e MT (1,0 p.p.).

Na indústria de transformação, o RS caiu de 9,3% para 8,4% do total da do Brasil, caindo da 2ª para a 3ª posição. Apenas SP (-1,7 p.p.) e BA (-1,1 p.p.) perderam mais participação. No outro extremo, os estados que mais tiveram ganho foram MG (1,1 p.p.), SC (0,7 p.p.) e GO (0,7 p.p.).

A atividade na qual o RS representa uma maior parcela da produção nacional é a agropecuária. Nessa atividade, o Estado manteve a participação quase estável, caindo de 11% para 10,9% do total produzido no Brasil, continuando a ser a terceira maior produção do setor, atrás apenas de MG e SP. Essa atividade foi uma das que teve uma maior oscilação na participação dos estados, com as maiores quedas em SP (-1,4 p.p.), BA (-1,2 p.p.), GO (-1,1 p.p.) e PA (-0,9 p.p.) e com os maiores ganhos em MG (2,9 p.p.), MA (1,5 p.p.), MT (1,5 p.p.) e RO (1,0 p.p.). Assim, vê-se que a expansão da fronteira agrícola foi fator determinante para a ausência de ganho de participação do RS na agropecuária.

Porém, mesmo essa estabilidade contribui para a perda de participação total do RS, pois a participação da agropecuária no PIB brasileiro caiu de 6,6% para 5,5%, principalmente em função do crescimento da participação do comércio e da indústria extrativa.

A indústria extrativa, na qual o RS é inexpressivo em nível nacional, passou de 1,6% da economia brasileira para 4,1%, crescendo principalmente no PA e em MG, sendo que este último foi o estado que mais ganhou participação total na economia nacional. MG ganhou 0,9 p.p. no total. Porém, esse ganho não foi consequência apenas da indústria extrativa, importante em MG e naturalmente sujeita a grandes oscilações de preço e, consequentemente, de participação. MG teve aumento expressivo de participações em cinco atividades — extrativa (3,7 p.p.), agropecuária (2,9 p.p.), construção civil (2,0 p.p.), transformação (1,1 p.p.) e SIUP (1,1 p.p.).

drop-2-tabela

Compartilhe