Etanol: o desafio brasileiro de saltar de 16 bilhões para 205 bilhões de litros

Ao ser anunciada a morte da era petróleo para meados do século, as pesquisas para a produção de energéticos alternativos em escala global, destacando-se o etanol e a célula a combustível, roubam a cena nas economias cêntricas, principalmente nos Estados Unidos.

Embora o Brasil detenha a tecnologia mais avançada no que tange ao etanol, via hidrólise ácida e a experiência do Pró-Álcool desde 1975, poderá perdê-la brevemente, com o advento da hidrólise enzimática, que requer vultosos investimentos e conhecimentos desde a química até a manipulação genética de novas enzimas capazes de minimizar os passos de processamento dos açúcares em álcool, o que poderá dobrar a produtividade por hectare. O Brasil, com invejáveis condições de clima e solo, não obstante a excelência de seus cientistas, não tem encontrado contrapartida em recursos para pesquisa, comprometendo a produtividade e a inovação.

Estudos da Unicamp projetam o consumo mundial para cerca de 1,7 trilhão de litros de gasolina em 2025. A estes, o Brasil poderá suprir com 205 bilhões de litros de etanol, através de 1.400 usinas. Atualmente, são produzidos 16 bilhões de litros, mediante 500 usinas, sendo 200 de baixa produtividade. Para tal, serão necessários US$ 10 bilhões a serem investidos até 2017, além da expansão da área plantada de cana-de-açúcar de 3 milhões de hectares para 25 milhões, já considerando a duplicação da produtividade (gráfico).

A inserção do etanol em escala global faz parte de um sistema de equações simultâneas, envolvendo vetores, como P&D, a bioenergia, incluindo o próprio etanol, os alimentos, as questões sociais e a alocação de recursos, sujeitos às rigorosas restrições ambientais de preservação e habitabilidade.

Etanol o desafio brasileiro de saltar de 16 bilhões para 205 bilhões de litros

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