Estiagem frustra previsão de supersafra no RS

Quebras de safra ocasionadas por problemas climáticos, como as de 2002 e de 2004, são comuns no Rio Grande do Sul, revelando-se, ao longo do tempo, uma desvantagem competitiva em relação a outros estados do País que não enfrentam tal problema com a mesma intensidade. Dentre os principais estados produtores de grãos do País, em função do clima, o RS é o que tem apresentado a maior variação de produtividade.

Para a safra de verão 2004/2005, o IBGE previa, em dezembro de 2004, uma produção recorde para o Estado, podendo alcançar 20,7 milhões de toneladas, divididas entre os quatro principais grãos (ver tabela). Acontece que o clima deverá frustrar, pelo menos em parte, essa previsão. A estiagem que atinge o RS desde o final de 2004 deve comprometer a produtividade do feijão e do milho, sendo que a do arroz e a da soja ficarão na dependência do comportamento futuro das chuvas.

Os baixos preços recebidos pelos produtores nos últimos anos têm estimulado a diminuição da área de feijão em favor das do fumo e da soja, que vêm apresentando melhores rentabilidades. Se a área menor já faria diminuir a produção nesta safra, as perdas em conseqüência da falta de chuva, que podem variar de 20% a 30%, conforme a Emater-RS, farão com que o volume colhido de feijão seja ainda menor que o previsto inicialmente.

O cultivo do milho continua perdendo área, principalmente para a soja. Desde 2001, 350 mil hectares deixaram de ser usados para o plantio do cereal. Na safra passada, a produção de milho foi extremamente prejudicada pela estiagem, sofrendo perdas de quase 30% em seu rendimento médio. Dentro da normalidade, previa-se que sua produtividade reagisse neste ano, podendo alcançar 3.875 kg/ha, um acréscimo de 38% em relação à safra anterior. Com a estiagem iniciada em novembro de 2004, a produtividade da lavoura de milho deve diminuir, mesmo que de maneira distinta entre as regiões produtoras. A Emater-RS estima perdas que vão de 30% a 50% nas regiões mais afetadas. Entretanto é bem provável que a presente estiagem cause menores prejuízos do que aquela ocorrida na safra passada. Isto porque as precipitações, mesmo que irregulares, ocorridas na segunda semana de janeiro permitiram replantios em certas regiões, que poderão desenvolver-se bem, se as previsões da meteorologia, que indicam chuvas um pouco acima ou igual à média a partir do final de janeiro, se confirmarem.

Quanto ao arroz, o baixo nível das barragens na época do plantio impediu que a área cultivada na safra passada se repetisse na de 2004/2005, encolhendo 10 mil hectares. Além disso, os problemas com a irrigação só aumentaram nas últimas semanas de dezembro em função da estiagem, o que pode comprometer a produtividade da cultura, estimada inicialmente pelo IBGE em 5.853 kg/ha.

A incorporação de áreas antes destinadas à pecuária e ao milho fez com que houvesse incremento de 4,1% na área de soja. Entretanto expectativas de menor rentabilidade nesta safra acarretaram desaceleração no crescimento da incorporação de novas áreas ao cultivo da oleaginosa. A produção esperada é de 9,4 milhões de toneladas, com rendimento médio de 2.275 kg/ha, bem abaixo do recorde de 2003, de mais de 2.600 kg/ha. A estiagem ameaça comprometer a produtividade da soja, mas a quantificação das perdas ainda é prematura, ainda mais que a provável mudança no quadro climático pode reverter, em parte, os potenciais prejuízos.

Estiagem frustra previsão de supersafra no RS

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