Envelhecimento populacional e mortalidade de idosos no Rio Grande do Sul

Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio Grande do Sul possuía, em 2015, 11.247.972 habitantes, 15,7% considerados idosos, na faixa etária de 60 anos ou mais, havendo, nesse segmento populacional, 77 homens para cada 100 mulheres. Para 2030, o IBGE projeta que o Estado deva alcançar a marca de 11.542.948 habitantes, sendo sua população composta por 24,3% de pessoas na faixa etária dos 60 anos ou mais, estimando-se que a razão entre os sexos deverá ser de 79 homens para 100 mulheres. De um total de 1.760.586 idosos em 2015, haverá um crescimento em 2030, chegando a 2.802.027 pessoas, um incremento de 59,2% nesse segmento populacional, o que representa mais de um milhão de pessoas idosas no período. O contingente populacional predominantemente feminino em 2015, 56,5%, indica que o excedente de mulheres, que é de 228 mil, passará a apresentar uma configuração um pouco mais homogênea em 2030, quando a proporção estimada será de 55,9%, porém com um excedente maior: 254 mil mulheres a mais do que o número de homens nessa faixa etária. A expectativa de vida ao nascer dos gaúchos, de acordo com o IBGE, foi 77,77 anos em 2015, havendo uma diferença de 6,76 anos entre os sexos: 81,10 anos para as mulheres e 74,34 para os homens. O IBGE projeta também que deverá haver um incremento de, aproximadamente, três anos nesse indicador, em 2030, quando a expectativa de vida deverá alcançar 80,84 anos, e a diferença entre os sexos deverá cair para 6,27 anos, pois é estimada em 83,92 para as mulheres e em 77,65 para os homens. Ainda de acordo com as projeções do IBGE, o número médio de filhos por mulher apresentará uma ligeira queda, passando de 1,55 filho em 2015 para 1,45 em 2030, valor bastante abaixo do nível de reposição populacional, que é cerca de dois filhos por mulher. Além disso, é previsto que a idade média da população gaúcha deva subir de 36,04 em 2015 para 40,99 anos em 2030. Nesse contexto de envelhecimento da população gaúcha, é importante considerar aspectos referentes às causas específicas de mortalidade do segmento populacional com mais idade e os diferenciais por gênero desses indicadores para que possa haver um planejamento de recursos a serem disponibilizados a esse grupo.

De acordo com os dados do Sistema de Informações Sobre Mortalidade (SIM), em 2015 ocorreram 82.349 óbitos no Estado, sendo 58.838 deles entre a população com 60 anos ou mais de idade, o que representou 71% dos óbitos naquele ano. Para a população feminina, esse percentual é de 79%, e, para os homens, é de apenas 65%, indicando a prematuridade das mortes entre os homens. A taxa de mortalidade dos homens no segmento etário analisado também foi superior à das mulheres: 37,9 por 1.000 comparado a 30,0 mortes por 1.000. As principais causas de morte nessa faixa etária foram aquelas pertencentes ao grupo de doenças do aparelho circulatório, que causaram cerca de um terço dos óbitos entre os idosos (19,0 mil casos). Em segundo lugar, destacam-se neoplasias, com 13,4 mil óbitos, e, em terceiro, doenças do aparelho respiratório, com ocorrência de 8,8 mil casos. A comparação por gênero revela que as taxas específicas de mortalidade pelas principais causas da população idosa masculina são sempre superiores às das mulheres, exceto para doenças endócrinas e metabólicas (diferença de 2%) e para doenças do aparelho nervoso, cuja taxa é 27% mais baixa entre os homens. Dentre as demais causas, destaca-se um grande diferencial por sexo relativo aos óbitos por causas externas, cuja taxa, entre os homens idosos, é quase o dobro do que ocorre entre as mulheres: 1,5 comparado com 0,8 por 1.000. Neoplasia é 63% mais incidente entre os homens idosos: 1,6 comparado com 1,3 por 1.000 entre as mulheres nessa faixa etária. As taxas de mortalidade referentes a doenças do aparelho respiratório e doenças do aparelho digestivo são cerca de 30% maiores entre os homens.

O envelhecimento populacional e o aumento da expectativa de vida ao nascer fazem com que as doenças crônico-degenerativas sejam as principais causas de mortalidade. Além disso, deve-se fazer uma análise mais detalhada dos óbitos por causas externas, que incluem mortes violentas, tais como: acidentes de transporte, homicídios e suicídios. Entre a população idosa no Rio Grande do Sul, em 2015, ocorreram 1.137 óbitos de homens e 776 de mulheres decorrentes de causas externas. Para a população feminina, 72,7 % dos óbitos nessa categoria referem-se a quedas (451 óbitos) e acidentes de transporte (113 óbitos). Para os homens, além dessas duas causas (305 e 285 casos respectivamente), homicídios (113 óbitos) e suicídios (253 óbitos) compõem 84,2 % dos óbitos devido a causas externas, o que representou 957 casos em 2015.

De fato, a mudança no perfil demográfico da população gaúcha, a feminização do envelhecimento e características da mortalidade por gênero e, principalmente, os óbitos decorrentes de causas violentas entre a população idosa são aspectos que devem ser levados em consideração na elaboração de políticas públicas. Dada a importância desse debate, o Governo do Estado está em processo de elaboração do Plano Decenal da Pessoa Idosa do Estado do Rio Grande do Sul. Esse plano deve aprofundar essa discussão, uma vez que está sendo elaborado um diagnóstico da situação da pessoa idosa no RS contemplando várias outras dimensões do tema.

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