Energia — uma questão de planejamento estratégico

O horizonte de inflexão da relação reserva/produção de petróleo no mundo (Pico de Hubbert) deverá ocorrer num período entre cinco e 15 anos, quando os preços deverão chegar, para alguns, a mais de US$100,00/barril, devido, principalmente, ao consumo dos países desenvolvidos. Persistindo o crescimento da China, da Índia e de alguns países em vias de desenvolvimento, a tendência torna-se mais pessimista. Esse fato aponta, para muito breve, uma crise estrutural da economia mundial, o que multiplicará o genocídio que se pratica hoje, pela fome e pela guerra, no mundo. A inflexão das jazidas de petróleo do Brasil está prevista para daqui cinco a 10 anos. Voltaremos, então, a importar petróleo no momento em que este estará com preços mais elevados, comprometendo nossa balança de pagamentos e levando o País a um impasse estrutural, já que 50% da energia primária consumida no Brasil é petróleo. Torna-se urgente um esforço singular, não só na substituição do petróleo, mas também na racionalização e na otimização dos potenciais energéticos disponíveis, bem como um planejamento estratégico envolvendo a cadeia produtiva dos energéticos, as estruturas urbana, rural, industrial e de transporte, com enfoque centrado na economia de energia e na sustentabilidade do meio ambiente. Caso se descubra uma nova superjazida, haverá somente um deslocamento de mais cinco ou até 10 anos do ponto de inflexão, o que não dispensará a urgência de um planejamento integrado que permita uma ação positiva para o futuro de nossos filhos. O Brasil deve transpor a era do petróleo dirigindo- se para a era do sol e da biomassa, energéticos abundantes em seu território, resguardando seu petróleo para ancorar essa transição.

Energia — uma questão de planejamento estratégico

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