Emprego formal: um quadro preocupante

Os efeitos da crise financeira internacional já se fazem sentir sobre o mercado formal de trabalho brasileiro, que sofreu, nos últimos três meses de 2008, um forte revés. Assim, se, até setembro, se tinha crescimento vigoroso do contingente formalmente empregado (2.086.570 postos), em outubro, verificou-se clara desaceleração, seguida de queda nos outros dois meses, sobretudo no último. Em dezembro, o fechamento de 654.946 vagas marcou o pior resultado para esse mês, na série do CAGED-MTE, desde 1992. Com a queda dos últimos três meses (-634.366), o crescimento do emprego formal em 2008 ficou aquém do esperado, com variação de 5,01% pelo acréscimo de 1.452.204 assalariados celetistas. Também no Rio Grande do Sul, a supressão de 10.769 vagas no último trimestre, resultado do crescimento pouco expressivo em outubro e novembro e da diminuição acentuada em dezembro (-27.678 postos) – o pior resultado para o mês desde 1999 -, contrapôs-se ao significativo crescimento verificado até setembro (101.323 postos), resultando na geração de 90.544  empregos no ano (variação de 4,60%).

Tanto no País como no Estado, o desempenho da indústria de transformação foi decisivo para a má performance do emprego no último trimestre. No Brasil, nesse setor, foram suprimidos 345.299 postos nos três últimos meses. Ainda assim, no ano, o saldo do setor foi positivo (178.675 vagas, variação de 2,55%), mas inferior aos dos setores serviços (648.259 e 5,67%), comércio (382.218 e 5,91%) e construção civil (197.868 e 12,93%).

No RS, o emprego industrial, após crescer significativamente até setembro (38.918 postos), registrou perdas crescentes nos três últimos meses do ano, totalizando uma queda de 23.876 postos no trimestre, concentrada, sobretudo, nos segmentos calçados (-8704), mecânica (-3436), metalúrgica (-3006) e química (-2940). No consolidado anual, o setor teve crescimento de 2,30%, pela incorporação de 15.042 trabalhadores, um acréscimo bem menor do que o do serviços (36.552 vagas e 5,40%) e o do comércio (29.137 vagas e 6,76%).

O resultado do último trimestre, por si só preocupante, torna-se ainda mais grave, se se considerar que o emprego reage com certa defasagem ao desempenho da produção industrial e que esta sofreu uma forte queda nos últimos três meses de 2008. No Brasil, de acordo com o IBGE, descontados os efeitos da sazonalidade, a produção industrial caiu 9,4% no último trimestre de 2008, comparativamente ao imediatamente anterior, e finalizou o ano com crescimento acumulado de 3,1%, praticamente a metade daquele de 2007 (6,1%). No Estado, após cair por três meses consecutivos, a produção industrial, ajustada sazonalmente, teve queda de 10,3% no quarto trimestre, em comparação ao terceiro, e fechou 2008 com aumento de 2,5%, um avanço cerca de três vezes menor do que o de 2007 (7,4%). Ao que parece, no futuro próximo, as perspectivas para o emprego industrial não são promissoras, o que possivelmente terá rebatimentos sobre a totalidade do mercado formal de trabalho.

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